Para amar os Beatles e os Rolling Stones
O aclamado hit oitentista afiança a existência de não apenas um garoto, mas de pelo menos um semelhante, outro fã do bom e velho rock and roll, que amava os Beatles e os Rolling Stones. Se na música e na vida é possível apaixonar-se por ambos, também é fato que a rixa entre as duas bandas das terras da rainha é um clássico, alimentado por seguidores ferrenhos de cada uma e pela própria mídia.
Pondo lenha na fogueira, as bandas juiz-foranas The Radioleft e Martiataka travam hoje, a partir das 23h, no Cultural, um duelo musical de covers entre os dois gigantes da música mundial. Numa bela noite ‘british’, quando The Radioleft apresentava o projeto Beatles rock, o Del(Martiataka) estava na plateia assistindo ao show, eu já tinha conhecimento do projeto Like a Rolling Stone do Martiataka. Não deu outra, a arena estaria montada, e o conceito, formado: brindar o público com os grandes hits das duas maiores bandas de rock de todos os tempos, no mesmo palco, na mesma noite , conta Sandro Massafera, produtor do evento.
Para Del Guiducci, vocalista do Martiataka, viver os Stones no palco é um caminho natural para os marcianos, que sempre beberam na fonte de Jagger e os companheiros. Aquela estrutura de blues que eles usam nas músicas é a mesma que usamos na maioria das nossas. ‘Brown sugar’, por exemplo, para mim, serviria como a matriz básica para o que vieram a ser todas os maiores hits do rock até hoje. A estética deles, tanto musicalmente quanto visualmente, a postura de palco, os riffs, a atitude, os solos, os refrões fortes… tudo isso é uma grande referência para nós.
A mesma sintonia permeia a relação do The Radioleft com o quarteto de Liverpool, como garante Louie Mandarano, que assume a guitarra e os vocais do grupo. Além de contemplarmos sempre os Beatles em nosso repertório não autoral, as influências também ficam claras nas nossas composições e vão além disso: meu set de instrumentos é todo igual ao de John Lennon, as mesmas guitarras, o violão igual. Fora isso, tem os cabelos, as roupas, o estilo de se portar no palco. Parte disso é intencional, e o resto acaba sendo incorporado naturalmente, e a gente nem percebe.
Cover diferente
Tanto Martiataka quanto The Radioleft possuem um sólido trabalho autoral, priorizado nos shows. Entretanto, nos dois lados do ringue, prevalece a visão de que fazer um show cover neste formato é uma experiência diferente e construtiva. O show virá intercalando sets contendo músicas de cada banda, caracterizando um duelo e proporcionando a todo o público o gostinho de ouvir seus clássicos preferidos, independentemente da banda de preferência, explica Roberta Mandarano, vocalista do Radioleft. No final, vamos fazer uma algazarra com as duas bandas no palco, algo que nunca se viu, garante o companheiro de banda, Louie.
Além disso, a arena também serve como laboratório para os novos álbuns das bandas juiz-foranas. Acima de tudo, estaremos nos divertindo ao tocar um som que gostamos. Isso é sempre uma preparação, um aperfeiçoamento que acaba sendo refletido em nosso trabalho, opina Thiago Salomão, baixista do Martiataka. Espero que mais rentável também, porque precisamos pagar a gravação do disco novo, diverte-se Del. Mas o fato é que aí não é o cover pelo cover simplesmente. Há um conceito todo por trás deste show, desde a preocupação com a seleção de repertório até as roupas que usamos (ou não usamos) no palco. Quando você encara um projeto desses, o público também é diferente, mais exigente. Acaba contaminando nossa música autoral de uma maneira positiva, completa o vocalista.
Neste duelo de titãs, a corrida armamentista já começou nas duas linhas de frente. O Martiataka promete atacar com hits como Satisfaction, It’s only rock and roll, Jumping Jack Flash, Brown sugar, em uma cuidadosa seleção que cobre todas as fases da carreira dos Stones, da década de 60 aos discos mais recentes. Acho que o ponto mais forte dos Stones, assim como o do Martiataka, é a pegada mais suja, mais irreverente, mais lasciva… e obviamente aquele lance de energia crua e bruta que tanto prezamos, avalia Del.
Sem ficar atrás, The Radiolfet investe em uma artilharia que começa com clássicos dos anos iê-iê-ê dos Fab Four, como All my loving e Can’t buy me love, passando pelo momento de transição com Drive my car e Day tripper, e chegando ao psicodelismo rock’n’roll de canções como Lucy in the sky with diamonds e Helter skelter. A nosso favor, temos o fato de termos incorporado naturalmente algumas das características da banda mais popular do planeta, como a concentração no palco, que reflete em um trabalho melódico muito preciso, adianta Louie.









