Só instrumentos de cordas
Levaremos um repertório bem variado para mostrar as várias características de uma orquestra de cordas. Foi assim que a violinista Elisa Fukuda sintetizou o programa que a Camerata Fukuda preparou para o concerto de hoje à noite, às 20h30, no Cine-Theatro Central, com regência de Ugo Kageyama. De Ponteio, do compositor manauense Claudio Santoro, o grupo passará por Árias e danças antigas – Suíte n.03, de O. Respighi, e solo de Elisa para Concerto para violino em lá menor, de J.S. Bach. É um roteiro diversificado, que vai do ritmo bem brasileiro de Santoro ao barroco de Bach. Retrata a versatilidade da nossa formação.
Fundada em 1988 e agraciada em 1991 com o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como o Melhor conjunto nacional do ano, além de reconhecida pela crítica especializada como uma das mais importantes orquestras de câmera do Brasil, a Camerata chega a 2013 com o diferencial de ter um trabalho regular e contínuo, conforme aponta Elisa, diretora artística do grupo. Seus 20 jovens integrantes, todos com formação homogênea, já foram comandados por maestros como Eleazar de Carvalho, John Boudler e Zygmunt Kubala. No total, contabiliza cinco CDs gravados. Sob a batuta do maestro Celso Antunes, o conjunto se apresenta na Sala São Paulo no próximo dia 2 de setembro, para comemorar os 25 anos de trabalho ininterrupto.
Em 24 anos de festival, é a terceira vez que a camerata se apresenta em Juiz de Fora. Na visão de Elisa, o que se vê aqui na cidade nestas duas semanas serve de incentivo para que a música antiga seja disseminada no Brasil, onde há uma fusão de várias técnicas e escolas vindas do exterior através de brasileiros que por lá passam. Eu tenho visto o entusiasmo de jovens músicos quando participam de festivais. Saem motivados, conheceram grandes músicos e professores, fizeram amizades com outros jovens. Ficam bem estimulados e com mais vontade de estudar após o fim do evento. Voltam para casa enriquecidos com tantas novas informações.
Tendo iniciado seus estudos musicais aos 4 anos de idade com seu pai, Yoshitame Fukuda, a diretora artística deixou o Brasil rumo a Europa para graduar-se no instrumento de quatro cordas no Conservatório superior de Música de Genebra, na suíça. Como mérito, recebeu o Primeiro Prêmio de Virtuosidade com distinção e felicitações do júri. Embora defenda que o aprendizado no exterior seja relevante para qualquer músico, ressalta que o ensino em seu país não fica atrás em termos de qualidade. Se tiver condições financeiras, é sempre bom se aperfeiçoar no exterior, levando em conta que o local oferece ambiente favorável para a assimilação da cultura, tradição musical e vivência humana enriquecedora em cidades como Viena, Paris, Londres, Berlin, Nova York. Mas também é possível ser um excelente músico estudando em boas escolas brasileiras e com bons professores, assevera ela que, em dezembro, voltará a executar Bach em Concerto com St-Luc Chamber Orchestra, no Metropolitan Museum, de Nova York.
Camerata Fukuda
Hoje, às 20h30
Cine-Theatro Central
Entrada gratuita. Retirar ingressos neste domingo, a partir das 8h, no Teatro Pró-Música (Av. Rio Branco 2.329)









