Arte das ruas
Apesar de ter nascido nos guetos, o grafite, o hip-hop, o skate e tantas outras manifestações sempre estiveram presentes no meio urbano e na cultura de uma forma geral e vêm ganhando cada vez mais espaço, a ponto de podermos fazer um evento como este, diz, com conhecimento de causa, o vice-presidente da Associação Juiz-forana de Hip-Hop e professor de grafite, Igor Moreira de Abreu. O evento a que ele se refere é a Mostra de Grafitti Purencontro, que reunirá 50 artistas para a pintura de um painel no muro externo do Olímpico Atlético Clube, na Avenida Brasil, além de também trazer performances de hip-hop, jogadores de basquete e uma rampa de skate, tudo ao som de DJs, MCs e b-boys. A iniciativa é uma parceria da associação com o coletivo Vida longa ao skate, e tem apoio da Funalfa.
Segundo Igor, alguns trabalhos já eram feitos ao lado do muro do Olímpico há cerca de cinco anos. Já vínhamos fazendo intervenções manualmente ali, com a intenção de mostrar o grafite como expressão artística e cultural. Desta vez, o contato foi feito pelo próprio clube, e nós topamos na hora. Segundo o presidente do clube, Basileu Tavares, a ideia surgiu para que o local fosse melhor aproveitado e pudesse enriquecer esteticamente a região. Não podemos usar o muro para propaganda, o que traria retorno financeiro ao clube. Ocupá-lo com uma arte como o grafite traz um retorno diferente: cultural, estético e mesmo educacional, já que muitos jovens poderão ver o conjunto de atividades acontecendo, o que pode despertar o interesse deles por elas. Muitas pessoas não têm conhecimento do trabalho positivo que os grupos que participarão desta ação desenvolvem.
O local começou a ser preparado ontem, e a temática da intervenção é livre. São muitos artistas, e a ideia é que haja liberdade de expressão, na essência do termo. O grafite é a arte acontecendo ali, na hora, e é aí que está boa parte de sua beleza, opina Lucas Peixoto, do coletivo dos skatistas. Para ele, a cultura do grafite vem crescendo nas cidades, passando a ser cada vez mais aceita como arte, apesar de haver preconceito. Ainda há quem confunda grafite com pichação. Pichação é poluição, o grafite é um trabalho estético, voltado para a conscientização, para melhorar o espaço urbano, defende.
Ainda segundo Lucas, o skate e o hip-hop também sofrem com a criação de estereótipos. Sempre são associados ao uso de drogas, à marginalização. Mas o trabalho que estamos mostrando nesse evento é fruto de comprometimento, reflexão, para conscientização dos jovens, e estamos alcançando estes objetivos. Além disso, todas essas atividades promovem o bem-estar e a qualidade de vida de quem as pratica. Para Igor, um dos fatores que tem contribuído para este processo é a maior exposição destas expressões na mídia e em eventos culturais. A criação de oficinas, por exemplo, cria multiplicadores do nosso segmento cultural.
Extrapolando as fronteiras do benefício próprio, as manifestações deste sábado vão beneficiar também diversas crianças com deficiência, já que os organizadores têm pedido doações de fraldas, alimentos, roupas, brinquedos muletas e cadeiras de rodas para a Associação de Apoio aos Portadores de Necessidades Especiais (AAPNE). Queremos também fazer atividades com as crianças associadas, dar um dia diferente para elas, finaliza Lucas.
MOSTRA DE GRAFITTI PURENCONTRO
Hoje, a partir
das 9h









