Em busca do leitor
Acontece hoje a última edição do ano do projeto ECO – Performances Poéticas. A partir das 20h, o encontro de escritores e amantes da literatura toma conta do Mezcla, em uma noite que terá o coletivo Vinil é Arte como atração. Achamos que um sarau de poesia em Juiz de Fora não duraria quatro meses, mas estamos completando quatro anos, comentou Anderson Pires, ao participar do Dois pra lá, dois pra cá da última segunda, no Anfiteatro João Carriço. Tendo a literatura como tema, o encontro também recebeu os professores e escritores Fernando Fiorese, Carolina Barreto e Iacyr Anderson de Freitas.
Desenvolvido há quatro anos, o ECO foi citado no debate como uma das melhores iniciativas de formação cultural na cidade, tendo em vista sua permanência e a consolidação de um público cativo, realidade que se aplica a poucos exemplos na cidade. O Grupo Divulgação e o Pró-Música foram citados pelo professor Fiorese como louváveis exceções a essa regra. Os convidados ressaltaram a necessidade de outras ações de longo de prazo, em contraposição ao caráter descontínuo de eventos que deixam de ser realizados por conta de mudanças políticas na administração municipal ou na gestão da UFJF.
Paralelamente à questão da formação de público, discutiu-se a necessidade de um festival literário no município, à exemplo de encontros que vêm ganhando força em cidade próximas, como São João del Rei e Cataguases. Os participantes acreditam que uma iniciativa nesse sentido seria válida, desde que a produção local não fosse excluída. Além disso, seria necessário integrar a programação do evento a outras ações de fundo cultural na cidade, como palestras e oficinas com os autores convidados nas escolas da cidade.
A busca por estratégias de circulação do livro esteve entre os assuntos mais recorrentes da noite. Apesar de reconhecerem o avanço que significou a Lei Murilo Mendes, os participantes apontaram a lacuna existente entre a produção das edições e sua chegada efetiva às mãos dos leitores. Iacyr Anderson aposta na internet como possível ferramenta de divulgação. Na opinião do poeta, além de possibilitar a disponibilização de obras em catálogo, a rede poderia oferecer acesso gratuito a livros financiados com dinheiro público.
Um dos assuntos que gerou discordâncias foi a articulação dos escritores com a iniciativa privada. Alguns participantes da plateia sugeriram a busca por recursos alternativos como forma de viabilizar a produção e a distribuição de obras, independentemente das deficiências do governo. Fiorese e Iacyr Anderson argumentaram, entretanto, que essa busca não pode eximir o poder público de suas obrigações, uma vez que suas ações são financiadas com dinheiro público.
A cobertura completa do debate será publicada no final de dezembro em uma séria de matérias especiais no Caderno Dois. Na próxima segunda, às, 20h, o Dois pra lá, dois pra cá estará de volta à videoteca do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). O último encontro desta edição, às 20h, vai discutir a produção de artes visuais na cidade.









