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Raiz que arrepia


Por Tribuna

22/01/2013 às 07h00

Vestindo trajes que remetem a uma África mítica, o cantor belo-horizontino Sérgio Pererê inaugurou, ao lado de dois percussionistas de sua banda, a 16ª Mostra de Cinema de Tiradentes, entoando um congado fortemente alinhado ao tema do festival – a descentralização da arte. Dono de uma voz grave, o cantor ecoou em Tiradentes, enchendo o Cine Tenda em seu espetáculo do último sábado. Reconhecido em sua cidade natal como um produtor de grande atividade e de percurso bastante original, Pererê é cantor, compositor, percussionista, poeta e ator. Com uma carreira extensa, já lançou quatro discos, todos abordando as diferentes nuances de suas raízes na cultura afro-brasileira. A gente acaba sendo pesquisador sem querer. Minha música tem a presença do congado, do candomblé, cantos rituais, tem várias coisas. Até o Michael Jackson vem passear na minha música, conta.

De olhar longe e gestos enérgicos, o cantor se apresenta visceral, interpretando cada palavra e cada ritmo. O canto é a alma da gente, é mais do que físico, é vibração, explica Pererê, justificando a comoção criada acerca de seu nome após a abertura. O Sérgio Pererê representa essa cultura de raiz, do tambor de Minas, comenta Raquel Hallak, coordenadora da mostra, explicando a motivação para a escolha do cantor, além da relação dos tambores de Pererê com o filme Lavoura arcaica, estreia da homenageada Simone Spoladore no cinema. Alinhado a uma performance cênica que inclui a interação com o público, o cantor afirma se identificar com a mostra para além da interpretação. O cinema é um veículo muito poderoso. O autoral unifica a gente. O fato de ser compositor, autor, me aproxima dos roteiristas, dos criadores que estão aqui, emociona-se.