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Memorialista retrata experiências em Barbacena


Por RENATA DELAGE

05/10/2013 às 07h00

Semelhante a um trava-língua, o título da obra que será lançada hoje, às 18h30, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), talvez queira, como relata o autor, expressar justamente a dificuldade que as populações periféricas experimentam ao assumir um discurso político próprio. Medra em frestas: movimento comunitário na região de Barbacena nos anos 1980 (Mazza Edições), assinado pelo doutor em estudo clássicos pela Universidade de São Paulo (USP) e ex-professor da UFJF, José Geraldo Heleno, pretende preservar a memória do Conselho Municipal das Associações Comunitárias (Comac), que atuou na cidade entre 1986 e 1991, além de ressaltar algumas experiências populares que deram certo.

‘Medra’ significa crescimento. ‘Frestas’ são os espaços políticos que se apresentam quando as populações periféricas pretendem assumir posição e participação na política oficial, espaços sempre estreitos, observa o autor, que destaca a fragilidade da democracia que se instalava após os longos anos da ditadura. O fato de ter sido em movimento datado, o que talvez explique em parte sua curta duração, não esvazia sua importância, avalia.

A obra memorialista – Heleno teve participação destacada no movimento retratado – é constituída por relatos de trabalhos, campanhas, reivindicações, eventos festivos, discussões sociopolíticas, congressos, participações em entidades de âmbito estadual e nacional.

Tratar das situações vividas por pessoas de dentro e fora do movimento comunitário, muitas em atividade política até hoje, é algo delicado. É um grande desafio produzir um texto nessas condições, sem cair no falseio da verdade, na crítica reprovativa ou elogiosa, ou mesmo nas teias do ‘homenagismo’.

MEDRA EM FRESTAS

Lançamento hoje, às 18h30

CCBM

(Av. Getúlio Vargas 200)