Balzaca do rock nacional
Era 1982. O cenário musical brasileiro fervilhava, e nomes que viriam a se tornar ícones do rock nacional, como Paralamas do Sucesso, Ira!, Legião Urbana e Capital Inicial, davam seus primeiros passos rumo ao estrelato. Foi assim com o Barão Vermelho. Naquele ano, a banda lançou seu álbum de estreia, homônimo, fazendo shows apenas no Rio e São Paulo. Trinta anos depois, os músicos voltam a subir aos palcos após um hiato de cinco anos, com a turnê "+1 Dose", em menção a um dos sucessos do grupo, e o roteiro de viagens vai bem além dessas duas capitais.
No show de hoje, na festa "A saideira", no La Rocca, hits do início como "Bete Balanço" e "Pro dia nascer feliz" misturam-se com sucessos mais recentes, como "Puro êxtase" e "Por você". O repertório contempla ainda faixas do disco homenageado, representadas por "Down em mim", "Todo amor que houver nessa vida", "Bilhetinho azul" e "Billy Negão". Para o bateirista Guto Goffi, a seleção das canções que integram a turnê foi a parte mais difícil de todo o trabalho.
"O Barão atravessa várias gerações de fãs, que vão desde os que acompanharam o início, com Cazuza, até os que conheceram a banda com Frejat nos vocais, e o show é pensado tendo em vista esse público diverso. Sabemos que é difícil contemplar todos os discos e gostos, mas estamos tentando. Tocar Barão já é, para nós, motivo de muito prazer. O público só precisa embarcar na onda e curtir."
Quanto aos próprios "barões", o embarque na tal onda foi mais que natural, como conta o baixista Rodrigo Santos. "Estamos sempre juntos, pois somos amigos, acima de tudo. Os ensaios foram demais, o som fluiu rápido e claro, entre uns neurônios queimados e outros em colisão, eu diria que acertamos 90% do repertório de primeira. O primeiro show na Fundição Progresso, lotada, foi simplesmente catártico. É o que esperamos de todos os shows dessa turnê."
Entre as novidades, está o lançamento da inédita "Sorte e azar", composta por Cazuza e Frejat, que integra os bônus do CD comemorativo, um relançamento do álbum aniversariante. A música foi cortada do disco de estreia por superstição do produtor Ezequiel Neves, que se recusou a incluir a palavra "Azar" no vinil. Sorte dos fãs, que poderão conferir o Barão de ontem e hoje, reunidos em uma só faixa. "A música foi encontrada por acaso, quando estávamos digitalizando o áudio do LP para lançamento em CD. Aproveitamos a oportunidade de atualizá-la, regravando todos os instrumentos, mas deixando a voz do Cazuza do registro original. Conseguimos transformar a canção num hit nota 10. Ao vivo, é o Frejat quem canta", adianta Guto Goffi.
Trintão do rock nacional, o Barão tem atualmente sua formação mais longa, de 20 anos, com Frejat nos vocais e na guitarra, Fernando Magalhães também assumindo o instrumento e Peninha na percussão), além de Guto e Rodrigo. Na empreitada "+1 Dose", antigos integrantes como Dé Palmeira (baixo) e Maurício Barros (teclado) aparecem como convidados especiais. "No final das contas, num balanço maduro, eu diria que com exceção da presença física do Cazuza – porque a presença importantíssima dele estará sempre nas canções do repertório-, o Barão está mais completo nesse momento. Acho que fortes emoções ainda vão rolar na história da banda. O Barão é um organismo vivo!", avalia Rodrigo.
Quanto à próxima dose? É claro que eles estão afim! Além de apresentações marcadas em São Paulo, Recife, Fortaleza e outras cidades na turnê comemorativa, o grupo não descarta a possibilidade de projetos que reúnam todos os integrantes. "Adoramos tocar juntos e descobrimos agora que todos os Barões, depois de 30 anos, estão na melhor fase de suas vidas, tanto individualmente quanto juntos. Nos entregamos 100% no palco e temos em comum a diversão, a amizade e a musicalidade. Volta em definitivo não existe , mas pequenas comemorações até podem vir a acontecer, quem sabe?", sugere o baixista, incitando a ansiedade dos fãs.
BARÃO VERMELHO
Hoje, às 22h
La Rocca
Avenida Deusdedit Salgado 2.400









