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Vale a pena ver de novo


Por Tribuna

08/09/2013 às 07h00

O trio já tinha batido ponto por aqui. Cumpriu o papel de fazer rir, mas não se limitou ao cômico. Direções do céu, uma mistura de tragédia e comédia, conquistou o primeiro lugar na opinião dos jurados do Festival Nacional de Teatro de 2012 como melhor espetáculo infantil. Executada pelo grupo Teatro Circense Andança, de Petrópolis, a performance retorna a Juiz de Fora, neste domingo, como peça convidada, às 16h, na Praça Antônio Carlos. É uma oportunidade de promover a arte. É assim que alimentamos nosso fazer e trocamos experiências, afirma a atriz Renata Alves. Melhor peça adulta na mesma edição com a montagem de o Ó o sol, o grupo Os Menino do Bacuri, de Ouro Preto, se apresenta, hoje, no CCBM. O drama adulto tem a incumbência de cerrar as cortinas, às 19h. É muito bom voltar nestas condições., diz a atriz Adriana Maciel. Para assistir a Ó o sol, é necessário trocar o ingresso por um livro de literatura em bom estado na portaria do CCBM.

Tragédia suavizada pelo riso

Criado, inicialmente, para um evento local da cidade de Petrópolis, Direções do céu tornou-se universal. Tendo como inspiração a trajetória dos alemães do período de guerras e em suas dificuldades e seus sofrimentos até a chegada ao município imperial, o espetáculo encontrou nesse recorte histórico o eco de questões universais e essencialmente importantes para o ser humano.Falamos de ciclos, da vida, da morte, da esperança, de uma busca constante, conta Renata, destacando que o peso da temática é suavizado pela leveza do palhaço. Isso fez com que, ao longo do tempo, passássemos a atingir tanto crianças quanto adultos.

Na frente da plateia, o cenário se constrói. De uma estrutura básica feita de bambus, outros elementos vão aparecendo. Texto? Os diálogos se restringem a alguns momentos. A história se desenrola por meio de sons e muitos gestos, entremeados por canções clássicas. Segundo Renata, do que já foi visto nas bandas de cá, pouco se modificou. Tem uma mudança natural, mas mantém o frescor da sua concepção..

O Teatro Circense Andança surgiu em 1993 com o objetivo de fazer teatro onde houver público, onde houver vontade de se divertir, de se questionar, de sorrir, de chorar, de tornar tudo possível, de brincar. Peregrinar está em sua identidade, o que justifica o nome da trupe. Temos uma pesquisa muito forte no trabalho do ator e, em muitos espetáculos, abordamos a cultura popular. Nestes lugares, não tradicionalmente concebidos para o palco, é que deixamos o teatro acontecer. Além de Renata, Rose Assis e Laércio Motta se desdobram entre os personagens.

No sertão

O sertão não é só um espaço físico. Está dentro de cada um de nós, comenta Adriana. Arrebatados pelo universo de Guimarães Rosa, os integrantes da companhia Os Menino do Bacuri ousaram montar Ó o sol. Dois atores, Adriana e Emerson Pereira, interpretam vários tipos, figuras, como o velho, o mau agouro e a menina, que recriam e transformam uma região pouco conhecida na sua essência, mas que têm o poder de encantar, de instigar o homem enquanto caminha por suas veredas. Eu e outro ator somos de uma região bem próxima de Cordisburgo, cidade de Guimarães, e nos influenciamos pela linguagem de lá, comenta Adriana.

A montagem era para ter sido apresentada somente como trabalho final de um aluno do curso de artes cênicas da Universidade Federal de Ouro preto, mas ela ganhou novos palcos. Pouco depois de estrear na cidade histórica, em julho de 2012, figurava na lista dos espetáculos da mostra competitiva do Festival de Juiz de Fora. Numa semiarena, Adriana e Emerson têm duas cadeiras, uma coberta e uma garrafa. Os objetos vão ganhando significados distintos, a cada troca de luz. É tudo muito simbólico, constata a atriz, apontando que até a trilha sonora, produzida com instrumentos de percussão e um violão, contribui para a simbologia apresentada. Com dois anos de caminhada e um espetáculo no currículo, a jovem companhia tem na experimentação e no trabalho do ator, como criador, sua espinha dorsal. A direção é de Henrique Emanoel Manara, e as músicas são de Victor Vidal. Todo o restante foi produzido através de um processo colaborativo.

Casa cheia

De acordo com Toninho Dutra, superintendente da Funalfa, em duas semanas de atrações, incluindo espetáculos convidados, peças que compuseram a mostra, oficinas e cenas curtas, as apresentações lotaram os teatros e praças públicas, confirmando o êxito do formato. Em alguns dias, houve quem voltasse para casa sem conseguir assistir às peças. Neste ano, atendendo a pedidos da classe artística e a sugestões de jurados das edições anteriores, o evento deixou de ser competitivo. Fecharemos a quantidade de público neste domingo, mas o retorno dos frequentadores, dos críticos e dos grupos foi muito positivo, avalia Toninho.

DIREÇÕES DO CÉU

Hoje, às 16h

Praça Antônio Carlos

Ó O SOL

Hoje, às 19h

CCBM

(Av. Getúlio Vargas 200)