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Artes dramáticas e fatos históricos


Por Tribuna

30/03/2012 às 06h00

Levar para os palcos fatos que foram relevantes na história do Brasil e do mundo nunca foi uma obrigatoriedade na carreira do dramaturgo Alexandre Guttierrez, embora, no currículo, ele guarde desde o drama folclórico A casa de Bernarda Alba, de García Lorca, até o dilacerante O diário de Anne Frank, de Das Tagebuch. E, neste final de semana, os ventos do teatro documental voltam a tomar as rédeas da dramaturgia de Guttierrez e seu sócio Bruno Quiossa, que estreiam hoje Adeus companheiro!, texto que traz à luz do século XXI um dos mais violentos períodos com o qual o Brasil conviveu há 40 anos: a ditadura militar.

Baseado em encontros e desencontros de dois amigos, em meio ao turbulento momento político brasileiro, o espetáculo, segundo Guttierrez, é um somatório entre sua investigação enquanto historiador e o olhar crítico do jornalista Quiossa. Trata-se, sobretudo, de uma colagem de relatos, feita a quatro mãos, o que viabiliza veracidade à trama em que dois amigos, que lutaram juntos na Segunda Guerra Mundial, se reencontram em lados opostos duas décadas depois, destaca Guttierrez, sobre os dois únicos personagens em cena, vítimas da reviravolta do destino. Enquanto um se torna delegado do Dops, o outro vem sendo acusado de guerrilhar ao lado dos comunistas.

Adeus companheiro! integra o programa Essa sexta tem teatro, em que, a cada último final de semana do mês, desde 2010, uma nova peça é apresentada ao público. A programação seguirá até novembro, quando haverá um revival com todos os espetáculos ao longo de 2012.

Guttierrez adianta que o GTMG/Cia Tralha, grupo que, sob sua coordenação, completou 18 anos no último dia 7, vem se preparando para estrear no teatro de rua, com trabalho debruçado na literatura de cordel.

ADEUS COMPANHEIRO!

Hoje, amanhã e domingo, às 20h

Sede do GTMG/Cia. Tralha

(Rua Barão de Santa Helena 229 – Granbery)