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‘Ainda bem’, Marisa Monte


Por BRUNO CALIXTO

27/10/2011 às 08h00

Ainda faltam quatro dias e quatro noites para o novo CD de Marisa Monte chegar às lojas. Mas a espera – desde 2006 (Infinito particular e Universo ao meu redor) – vem sendo amortizada pela pré-venda do álbum e por trechos das 14 faixas escolhidas pela compositora para O que você quer saber de verdade, disponibilizados no site da cantora.

Oitavo da carreira – Tribalistas, apesar de todo o seu envolvimento , não conta por ser um projeto coletivo, e Infinito ao meu redor, trilha do documentário homônimo, também não -, o álbum, em grande parte, foi gravado no Rio durante seis meses, período em que, aliás, ela passou por São Paulo, Nova York e Los Angeles. Levei sempre comigo o HD do projeto e fui gravando com músicos locais. Aproveitei também para encontrar arranjadores e encomendar alguns arranjos que foram gravados depois em L.A. e Nova York, comentou a cantora, durante um fórum de discussão em seu site.

À vontade para responder às perguntas dos fãs, Marisa Monte afirma que, apesar da novidade, optou por experimentar a comercialização de seu trabalho na rede. Ainda não existe exatamente um formato que tenha se provado satisfatório, eficiente, até porque, se existir, ele vai se tornar insatisfatório muito rapidamente, é a velocidade natural das coisas hoje, diz, antes de detalhar um pouco mais sobre o recente projeto fonográfico. Mixei em NY, em maio, a maioria das músicas com Patrick Dillet, com quem eu já tinha trabalhado nos projetos com o Arto (Lindsay). Para completar, convidei o Mario Caldato, que mixou três músicas em L.A.. O processo desse trabalho para mim foi marcado pela possibilidade de transportar os arquivos com muita facilidade.

Entre as novidades compiladas, parte das faixas Descalço no parque, Depois, Amar alguém, O que se quer e Nada tudo ganhou destaque nacional e internacional através da internet. Por eu estar fazendo esse lançamento de uma forma como nunca fiz, em um canal de comunicação muito direto, isso me obriga a produzir muito mais conteúdo – textos, fotos, respostas aos fãs, videos etc. É também um desafio e requer uma reflexão constante já que não posso apenas delegar para alguém, uma equipe, uma agência que faça sem a minha assistência, porque é muito pessoal, assinala Marisa, sobre inéditas, algumas regravações, autores com quem nunca gravou e antigos parceiros. O álbum físico e digital será lançado no dia 31 de outubro no Brasil e em cerca de 30 países.

A muitas mãos

(literalmente)

A parceria com Anderson Silva para a gravação do clipe de Ainda bem é apenas uma das peripécias adotadas pela musa da MPB. ‘Ainda bem’ fala da sorte e da felicidade de um encontro. Achei que uma dança seria a imagem perfeita para dar forma a essa ideia. Pensei em chamar alguém, que assim como eu, gostasse de dançar mas não fosse dançarino profissional. Foi quando me lembrei do campeão Anderson Silva, conta. Tinha visto sua sensacional entrada tipo ‘Michael Jackson’ numa luta algum tempo atrás. Fiquei fascinada pelo fato de ele ser ‘the champion’ e ter dança nos pés e os contrastes que isso sugere: força e delicadeza, peso e leveza. O convite, é claro, foi aceito, e a gravação aconteceu durante uma tarde num estúdio no Rio. Nós não tínhamos ensaiado juntos e dançamos de uma forma bem livre.

Ainda bem foi uma das primeiras composições da nova leva do álbum. Primeiro veio a melodia para, depois, surgirem algumas palavras, enquanto Marisa tocava violão sozinha em casa. Dias depois, o Arnaldo (Antunes) veio aqui em casa, nos sentamos na varanda, eu mostrei para ele, e a letra fluiu. Começamos a gravação, eu e Dadi aqui em casa. Violões, tom e andamento, conta. Depois disso, gravei a base em São Paulo com o power trio do Nação Zumbi (Pupilo, Dengue e Lucio Maia). Eles deram à música um sabor meio faroeste italiano.

Engajada às novas mídias – mesmo sendo adepta do popular tempo para mim é precioso, e tenho preferido usar com outras coisas, Marisa Monte reforça que utiliza a internet no dia a dia para pesquisar, ler notícias, correio eletrônico, Skype etc. Ela faz parte hoje da vida de todos nós, e é importante cada um encontrar o seu jeito de usá-la. As redes sociais são um fenômeno contemporâneo em que impera a liberdade, e isso é encantador, ela diz.

Por outro lado, se, para a artista, muito tempo se perde com informações sem a menor relevância, somente a curiosidade fala mais alto, principalmente em tempos de crise de vendagem de discos. Ainda não senti necessidade de estar atuante nessas redes de relacionamento virtual. O máximo que fiz foi abrir uma conta no Facebook por curiosidade e encerrar em dez minutos ao me dar conta da demanda, dispara. Por enquanto, debruçada sobre o serviço de O que você quer saber de verdade, Marisa Monte aposta no meio mais curto para não perder o link com os fãs.