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Tiradentes atravessa o Atlântico


Por LEONARDO TOLEDO

09/10/2011 às 07h00

A tela "Tiradentes supliciado" de Pedro Américo desembarcou pela primeira vez no continente europeu no final de setembro para uma temporada de quatro meses. Reproduzido em diversos livros escolares, o célebre quadro, pertencente ao acervo da Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro), integra a exposição "Brazil.Brasil", mostra principal do festival Europalia, aberta na última terça, em Bruxelas. A incursão internacional da obra foi antecedida por nove meses de negociações, trâmites e cuidados práticos para o envio da peça. A Tribuna acompanhou essa movimentação, iniciada em janeiro, e mostra o passo a passo dessa viagem que promete entrar para o currículo da tela e também do museu.

Além da pintura, outras 11 peças da Mapro foram enviadas à Bélgica: duas cianotipias – um dos primeiros tipos de impressão fotográfica existentes -, retratando o imperador e imperatriz em um cenário que remete à matas brasileiras, e nove fotografias de escravos do Rio de Janeiro e da Bahia, oito delas assinadas por Albert Henschel e uma de origem desconhecida. "A seleção dessas peças é uma demonstração da importância do acervo do museu", avalia o diretor da instituição, Douglas Fasolato.

O texto que apresenta "Tiradentes supliciado" na mostra belga é de autoria da professora da UFJF e historiadora da arte Maraliz Christo, que abordou a obra em seu doutorado. O estudo recebeu o Grande Prêmio de Tese Capes em 2005, como melhor tese na área de Ciências Humanas. Segundo Maraliz, dois fatores explicam a popularidade e o renome alcançados pelo quadro de Pedro Américo. Além de ter como tema um herói nacional de grande ressonância popular, a tela retrata Tiradentes de modo totalmente incomum. "Não encontramos outro evento no mundo de um herói político representado com o corpo esquartejado", comenta.