De volta, de novo
Depois e idas e vindas, o RPM está de volta e se apresenta hoje na 41ª Semana do Tocantinense Ausente, a partir das 23h30, em Tocantins. Este é o primeiro show do grupo formado por Paulo Ricardo (baixo e vocal), Luiz Schiavon (teclado), Fernando Deluqui (guitarra e vocal) e Paulo PA (bateria) na região após o retorno aos palcos com a formação original desde maio deste ano.
O RPM foi um dos expoentes da cena musical da década de 1980 e possuiu no currículo o sucesso estrondoso do LP "Rádio pirata ao vivo", que em 1986 alcançou mais de 2 milhões de cópias vendidas, tornando-a a banda de maior vendagem da indústria fonográfica nacional até então. O sucesso mercadológico não se transformou em longevidade. No ano seguinte, eles se separaram, até a volta, novamente ao vivo, em 2002, com o lançamento do álbum "MTV RPM 2002". Mais uma vez eles seguiram caminhos opostos. Este ano, marcaram novo retorno aos palcos e para as prateleiras com "Elektra", CD com 13 faixas inéditas que também dá nome à turnê pelo país. Em entrevista por e-mail à Tribuna, o tecladista Luiz Schiavon comentou a nova fase que se inicia.
Tribuna – Como é voltar aos palcos com a formação original?
Luiz Schiavon – É como voltar à casa dos pais depois de uma longa viagem. Tudo é fácil, tranquilo, agradável, familiar, e você sabe exatamente o que esperar de quem está ali dividindo o espaço com você. Dá uma enorme sensação de segurança.
– Como é organizado o repertório?
– Procuramos mostrar algumas músicas do CD novo, além de hits clássicos. Mas também apresentamos canções lado B, que caracterizaram nosso início de carreira e outras do DVD de 2002. É um resumão dos quase 30 anos do RPM, com as novidades apontando para onde queremos ir no futuro.
– Em que os shows de hoje diferem daqueles do início da carreira?
– Individualmente, como músicos, todos crescemos muito nesse período. Isso faz com que o espetáculo seja musicalmente mais consistente. E a maturidade faz com que o show seja menos "ansioso". Interpretamos as canções de forma mais próxima àquela com que foram compostas, sem a afobação das apresentações ao vivo do início.
– O RPM ficou marcado como uma das mais importantes bandas da década de 80. O que esse período reflete na produção de hoje do grupo?
– É inevitável mostrar o "DNA RPM", com tecnologia, boas doses de música eletrônica misturadas às guitarras viscerais e a garra nas interpretações ao vivo. Isso se mostra naturalmente sempre que tocamos juntos.
– O público que hoje vai aos shows do RPM é aquele saudosista do início da banda, ou vocês percebem uma renovação na plateia?
– Essa é a grande (e agradável!) surpresa que temos tido em todos os shows. Evidentemente temos uma boa parcela de público acima de 30, 35 anos, que viveu o "boom" dos anos 80. Muitos nos levam ingressos das turnês "Rádio pirata ao vivo" e "Quatro coiotes" para autógrafos. Mas existe um número enorme de jovens de 15 a 25 anos que conheceu a banda por outros meios e que canta e dança tudo, até mesmo músicas como "Juvenília" e "Guerra Fria" que nunca foram sucessos de rádio. Isso nos alegra demais e mostra que estamos no caminho certo.
– O tom de protesto está presente nas letras da banda. Como vocês avaliam a falta de engajamento de muitas bandas hoje em dia? E como ficam as letras do RPM frente aos recentes escândalos de corrupção?
– É difícil falar sobre a motivação alheia. O compositor não tem a obrigação de falar sobre algo que não queira. Nós sempre tivemos uma postura de abordar todos os temas do nosso cotidiano, amor, relações humanas, política, economia ou o que mais estiver nos afetando naquele momento. O rock sempre teve uma postura ativa em relação a temas político-sociais, mas isso não pode ser uma obrigação.
– Como avalia o rock brasileiro atual?
– De certo modo, o rock atual se enquadra no cenário geral da música brasileira de hoje, em que os temas polêmicos são geralmente evitados.
– É possível repetir o sucesso do "Rádio pirata ao vivo" na era da música na web?
– Esperamos que sim! A web é um agente facilitador. Ao mesmo tempo em que fez a venda de CDs despencar, propiciou uma maneira extremamente democrática de acesso à informação. Tanto é assim que disponibilizamos quatro músicas para download gratuito em nosso site – www.rpm.art.br e com isso passamos de 200 mil downloads a um milhão de acessos aos videos do YouTube
– Qual sua opinião sobre o mercado fonográfico atual?
– A indústria fonográfica vive uma crise que é fruto da demora em se adaptar à nova realidade que a tecnologia criou. Há 20 anos tenta barrar o download, ao invés de procurar novas formas de faturamento. A indústria fonográfica está em crise, mas a indústria do show está no melhor momento das últimas três décadas. Isso mostra que a música vai muito bem, obrigado!









