São Pedro vai ajudar?
Quando uma trupe vai para a rua, só o que importa é saber se São Pedro vai ajudar. O diretor do grupo mineiro Rasgacêro, Giovanni Dias, carrega sempre certa dúvida na mala quando decide tirar a Kombi da garagem. O veículo, que faz as vezes de palco no meio da praça, chega a Juiz de Fora hoje, dando início à segunda fase da turnê "Rasgacêro e os artêros geraes". A previsão é de noite sem chuva. Até o fim de dezembro, a companhia de Poços de Caldas, com patrocínio da Petrobras e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, irá visitar 40 cidades de Minas, São Paulo, Goiás e Distrito Federal para apresentar o espetáculo "Mambembrasileiros", uma mescla de teatro, música e circo.
Há 10 anos, o Rasgacêro se formou nos corredores da PUC Minas. No princípio, apenas a faceta musical se revelava entre os integrantes, interessados no forró. Graduado em artes cênicas pela USP, Dias acabou assumindo a direção cênica do grupo e inseriu elementos circenses nas performances. Ficou um tempo distante dos colegas, até retornar no ano passado, capitaneando a montagem "Fantoches alienados". "Na época, decidi incluir alguns trechos narrativos, propondo mais um desafio ao elenco." No novo itinerário, os artistas toparam com a atual produção, feita de personagens e história com começo, meio e fim. Porém, a disposição musical da trupe não ficou para trás. Pelo contrário, foi intensificada por meio do resgate das primeiras composições registradas em dois CDs. "Voltamos às nossas raízes", comenta Dias. Além do repertório autoral, "Mambembrasileiros" lança mão de números na corda bamba, no tecido e no monociclo.
Salto antropofágico
Segundo Dias, o Rasgacêro tem o costume de realizar um cortejo de maracatu minutos antes de se apresentar. Aproveitando essa característica, o diretor ofereceu ao desfile o sentido das origens teatrais, quando os homens saíam em festa para homenagear Dionísio e cultuar a figura do bode. E o tema tem continuidade na montagem, já que o protagonista Artêro é amaldiçoado pelo deus do vinho na Grécia Antiga. Expulso, acaba chegando ao Brasil, onde renasce com ares de Macunaíma. "Dessa forma, fazemos um salto antropofágico dos ditirambos conduzidos por Téspis para os tambores das raízes culturais brasileiras", explica Dias, classificando a estética do espetáculo como "steampunk", que une elementos tecnológicos a figurinos do cotidiano popular.
Depois de escrever o texto, Dias possibilitou que o elenco encontrasse as personagens por meio de oficinas. Para que os atores saibam lidar com os imprevistos da rua, o diretor sugere que carreguem uma carta na manga: a capacidade de não perder a história e, ao mesmo tempo, não impedir que o público participe do jogo. "O teatro é aqui e agora, por isso, precisa valorizar a interação com a plateia." Aliás, ela acontece em vários momentos, como era de se esperar. De acordo com Dias, entretanto, o retorno dos espectadores – crianças e adultos – depende sempre da cultura e do clima local. "Às vezes, as pessoas se perguntam se podem ir. Às vezes, elas se jogam." Em 2012, o Grupo Rasgacêro realiza sua turnê nacional.
Circo e música
Dois workshops, gratuitos e sem necessidade de inscrição prévia, serão oferecidos em Juiz de Fora, hoje, às 14h. Na Praça Antônio Carlos, acontece o curso de iniciação às artes circenses, com exercícios básicos de malabares, perna-de-pau, acrobacia de solo e palhaço. No Museu Ferroviário, os visitantes ministram a oficina de iniciação à música, com exercícios de percussão com tambores.
MAMBEMBRASILEIROS
Hoje, às 20h
Praça Antônio Carlos









