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Fale o que quiser, mas fale de amor


Por BRUNO CALIXTO

20/05/2012 às 07h00

Em um instante, Fernando Anitelli fala sobre assuntos mais densos, com crítica e ironia. Em outro, ele tenta descrever uma história alegre e divertida sobre as relações humanas e manter uma linha de diálogo entre todos eles. O ator, palhaço e músico volta a Juiz de Fora com sua trupe O Teatro Mágico, para show hoje no Cultural Bar. A performance, baseada no terceiro e mais novo álbum A sociedade do espetáculo (2011), completa a trilogia da companhia paulista.

Trabalho que expõe o amadurecimento musical da banda, a turnê vem ganhando destaque, sobretudo, por conta do diferencial da produção de Daniel Santiago, integrante da banda e parceiro de Hamilton de Holanda, um dos principais expoentes da música instrumental contemporânea brasileira. Daniel é uma pessoa muito sensível musicalmente, trouxe toda sua bagagem de música brasileira e contemporânea; ele se ‘internou’ lá em casa durante a pré-produção do álbum, e foi um processo muito bacana porque ele mostrava visões diferentes do Teatro Mágico e de sonoridade, a gente discutia muito, brigava (risos), mas sempre acabava em música. A gente se apaixonou, e ele até entrou para a trupe (mais risos), diverte-se. Para compor sua cena, o vocalista virá acompanhado dos atores Ivan Parente, Danilo Souza, Willians Marques, Galldino, Toicinho, Wallace Kyoskys, Andréia Lamego e Andréa Barbour.

Em meio à confluência de gêneros propostos pelo grupo, Anitelli ressalta o confronto de ideias dentro do estúdio, onde O Teatro Mágico se dedica a fazer um pop moderno, sofisticado e fundamentalmente brasileiro. As influências musicais são várias. A gente pesquisou bastante, vão do Clube da Esquina à Dave Matthews Band, que, aliás, na faixa ‘Transição’, tivemos a participação mais que especial do Jeff Coffin, saxofonista da Dave Matthews Band, conta o ator. ‘Amanhã… será?’ entra no repertório. E ‘Canção da terra’, será? (risos) Pode ser que sim, o set list nem a gente sabe ao certo, mas tem canções que não faltam, como ‘Pena’ e ‘Camarada d’água’. Desse álbum novo, ‘Transição’ e… o resto é só na hora.

O nome A sociedade do espetáculo deriva do livro homônimo de Guy Debord, obra em que o filósofo francês versa sobre a imagem enquanto elemento organizador da sociedade do consumo, transformando a realidade em ficção e a ficção em realidade. ‘Este era um tema que eu queria trabalhar desde a montagem do meu primeiro disco, o ‘Entrada para raros’ (2003), mas eu via que ainda não era o momento. Nesse último álbum, estávamos falando de revoluções, da Primavera Árabe, da velocidade das informações, questionamentos sobre posições e o mundo, assim como na letra de ‘Esse mundo não vale o mundo’, em que citamos Drummond. Também queríamos falar de amor, de relacionamentos, como em ‘Da entrega’ e ‘Nosso pequeno castelo’, comenta Fernando Anitelli.

O grupo alterou os números circenses, incluindo novos figurinos, cenário e músicos. Sempre reinventamos tudo, até os shows por cada cidade que passamos, é sempre difícil prever o que vai acontecer com muita antecedência, diz. Através da palavra, o palhaço Anitelli busca manifestar sobre o que realmente importa. Difícil falar de um único discurso, o que não podemos é conviver com a intolerância, falamos sobre a igualdade dos direitos, a causa feminista, contra a homofobia. Sempre falo da democratização e da possibilidade de acessos aos bens culturais, da necessidade de um serviço de arrecadação de direitos autorais transparente, coisa que o Ecad, hoje, não é. Defendemos uma CPI para o Ecad e a urgência de reformas na Lei do Direito Autoral.

Há mais de oito anos na estrada, O Teatro Mágico se consolidou como um dos principais fenômenos da internet no Brasil, obtendo mais de seis milhões de downloads oficiais na rede, milhões de views no YouTube, centenas de seguidores e fãs em redes sociais, além de aparições importantes em programas da mídia tradicional. A internet é a maior possibilidade de comunicação direta entre o artista e o público, sem mediadores. A partir do momento que o público se identifica com a mensagem, com a música, ele acaba se integrando ao projeto, afirma Fernando Anitelli.

Falando na rede, os fãs podem conferir o mais novo videoclipe do Teatro Mágico, Nosso pequeno castelo, no YouTube ou no site www.oteatromagico.mus.br. Com direção de Huila Gomes e André Hime, a filmagem aconteceu na Praia do Estaleiro, em Ubatumirim (SP), na volta de um show de fim de semana. Queríamos aquele ar de filme antigo, recuperado, e optamos por efeitos com as velocidades variadas de música e imagem. Funcionou muito bem, comenta.

Para este ano, muitos planos. Pretendemos lançar mais videoclipes, estamos preparando a gravação de um novo DVD para o segundo semestre e eu sempre sigo compondo, informa o líder da trupe. Fiz algumas parcerias musicais com outras bandas, como a Glória (hardcore) e a Planta e Raiz (reggae), entrando em outros universos musicais. Novidades sempre aparecem, em breve.

O TEATRO MÁGICO

Hoje, às 19h

Abertura com FBI Elétrico

Cultural Bar

(Av. Deusdedit Salgado 3.955)