Ouça agora

Liberdade ‘pra’ dentro (e fora) da cabeça


Por BRUNO CALIXTO

01/12/2011 às 07h00

Liberdade 'pra' dentro (e fora) da cabeça

Liberdade ‘pra’ dentro (e fora) da cabeça

Para o Natiruts, inovar é algo natural. Bom exemplo disso foi quando eles passaram a abrir seus shows com dub e os famosos "soundsystems". "A gente incorporou o dub em 2004 na pré-produção do CD ‘Nossa missão’. Tínhamos uma festa chamada ‘NatiDubRuts’, que na época ajudou a resgatar essa cultura nascida na década de 1960 e influenciou diversos estilos, inclusive o rap", explica o guitarrista e vocalista Alexandre Carlo, sobre o que sairia a partir desse encontro de tecnologia e música de raiz.

"Natidub", além de um formato que trouxe o público para perto desta cultura underground jamaicana, forma as bases para "Raçaman", sucesso que faz parte do novo disco homônimo da banda de Brasília, de volta à cidade para show no Privilège hoje.

Sendo um dos mais populares nomes da música brasileira, o Natiruts, desde suas primeiras aparições, apresenta o reggae como um movimento não só musical, mas também sociocultural, como, segundo Carlo, passou a ser enxergado e considerado pela grande mídia. Junto a ele, Luís Maurício (outro fundador, baixo), Txotxa (bateria), Mônica Agena (guitarra), Bruno Wambier (teclado) e Dênny Conceição (percussão) aderiram ao que, desde a década de 90, vem sendo chamado de "reggae power". Não tinha como escapar, tanto que Alexandre Carlo lembra que, de dez em dez minutos, dava Natiruts nas rádios, independentemente dos gêneros do veículo. "Numa maratona incessante de shows, o reggae de Brasília chegava a ouvidos nunca antes explorados, e o número de fãs não parava de crescer", diz. Essa parecia, enfim, a "cereja do bolo" para um trabalho, cuidadosamente, pensado para "incomodar".

Enquanto os locutores anunciavam "a nova música do Natiruts", "Raçaman" ganhava fôlego para circular pelo Brasil. "Sem perder a identidade, o Natiruts trouxe sonoridade moderna e um conceito artístico tão contundente que faz com que o trabalho transcenda as barreiras, muitas vezes preconceituosas, do reggae nacional", define Alexandre Carlo, que acumula também a função de produtor artístico e compositor de todas as canções do novo disco.

Antes e após o show, os DJs residentes Sandro Valente e Eve d’ Paula comandam as pistas do primeiro e segundo pisos respectivamente, enquanto DJ Vovô assume a pickup do Café da Mata.

O Natiruts reescreveu parte da história do reggae sem gravadora. "Grande parte dos recursos adquiridos em shows, venda de discos e DVDs é claramente vista como subsídio para os ousados próximos passos." Se depender de "Raçaman" e sua ficha técnica, não será difícil. As bases foram gravadas nos antigos estúdios da Transamérica, onde Djavan, Legião Urbana e até Raul Seixas já gravaram. As vozes foram captadas em São Paulo, Brasília e, em maior parte, no Rio, no conceituado estúdio AR.

O Natiruts foi para Londres, para os estúdios Ariwa, do lendário Mad Professor, valioso nome entre os mais exigentes amantes do reggae roots tradicional. Para a masterização, o grupo voltou ao Brasil, para as mãos de outro ícone do setor, Carlinhos Freitas.

A parte visual dos shows também ganha destaque. Em "Raçaman", a banda promete surpreender com um resgate à cultura brasileira. "A ordem é ignorar telões, lasers, enfim, toda aquela parafernália tecnológica, em prol de uma atmosfera artística de cores e pigmentos", adianta Carlo.

NATIRUTS

Hoje, às 23h

Privilège (Rua Eng. Gentil Forn 1.000 – São Pedro)