Até quando esperar?

Obras na Mapro sem prazo para conclusão
O tempo é uma ilusão, disse Albert Einstein. Mesmo que o físico alemão tenha questionado a distinção entre passado, presente e futuro, a noção convencional é inerente ao homem. Todos os seres podem, de alguma forma, ordenar a sequência dos fatos e defini-los como ágeis ou lentos de acordo com os próprios sentidos. Em Juiz de Fora, alguns espaços culturais que passam por intervenções estruturais ou estão na expectativa de iniciá-las desafiam a percepção do cidadão sobre o tempo. Será que por aqui, às vezes, o futuro insiste em não chegar?
A dúvida é recorrente quando o assunto é o Museu Mariano Procópio. Um dos principais símbolos da cidade, a instituição está com obras paradas nos dois edifícios históricos há quase três anos. Em 2008, o parque restaurado foi entregue à população, mas ainda aguarda a finalização dos projetos de iluminação e drenagem.
Diante do clamor da população pela reabertura completa do espaço, o diretor Douglas Fasolato explica que a solução é o prosseguimento por etapas, sempre com auxílio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG). "Estamos com todas as frentes abertas. É impossível realizar tudo simultaneamente por conta dos recursos. Queremos atender os anseios das pessoas, mas restaurações não podem ser feitas a toque de caixa, não são apenas maquiagem."
A retomada da Villa
Segundo o diretor, a prioridade agora é o prédio da Villa Ferreira Lage – o mais antigo, de 1861 – que terá piso, forro, canaletas e telhado recuperados na primeira fase, no valor de R$ 2 milhões provenientes do Ministério do Turismo, com contrapartida da Prefeitura. Até o momento, alguns cômodos tiveram o estuque consolidado, e a previsão de término é janeiro de 2012. "A Villa também voltou a ter telhas germânicas, depois de quase 30 anos coberta por telha de zinco, uma intervenção indevida que a prejudicou", completa Fasolato, ressaltando que a licitação para algumas medidas de revisão da parte elétrica já aconteceu. "Estamos esperando a homologação."
A segunda fase das obras na Villa, cuja proposta de R$ 2,5 milhões já foi aprovada pela Lei Rouanet e está pronta para captação, prevê a reestruturação das fachadas e ações decorativas. "O Ministério da Cultura (MinC) levou dois anos para analisá-la", lembra Fasolato, apontando também a terceira fase, que inclui os projetos museológico e museográfico, orçados em R$ 760 mil. Em paralelo, a restauração do acervo (pinturas, porcelanas e mobiliário) também foi aceita pelo MinC e está apta para captação, mas aguarda o resultado de um pedido de reexame de alguns cortes na verba.
No que se refere à outra edificação, o diretor menciona a necessidade urgente de reparo de dois instrumentos de iluminação natural, o lanternim e a claraboia. "A partir de um diagnóstico, pago pelo Iepha, elaboramos um projeto de intervenção financiado pelo Ministério do Turismo, mas ainda falta recurso para execução."
Valorização dos bastidores
Em junho deste ano, o Cine-Theatro Central anunciou a reforma dos 21 sanitários e dos sete camarins distribuídos pelos três andares da construção. Segundo o pró-reitor de Infraestrutura da UFJF, Paschoal Roberto Tonelli, a intervenção teve início em agosto, após um atraso de oito meses por conta da demora de aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Orçada em R$ 332.02,25, a obra teve que se encaixar na agenda do teatro, que continua em atividade. A previsão de término é 24 de novembro.
A próxima etapa, conforme Tonelli, é a elaboração de um projeto de revisão da cobertura e das marquises para resolver as infiltrações. "No período de chuvas, isso se faz mais urgente", comenta o pró-reitor. De acordo com ele, o valor da iniciativa ainda não foi definido, mas deve ser assumido pela UFJF e pelo próprio Central. Com relação à instalação de corrimão nas escadas que levam aos pavimentos superiores, Tonelli informa que a solução está sendo discutida com o Iphan. "Precisamos associar a real necessidade à forma de execução e ao material adequado."
Questionado também sobre o caso da concha acústica do campus, o pró-reitor afirma que, até o início de 2012, será feito um revestimento a fim de evitar o desconforto dos artistas causado pelo retorno do som. "Quando alguém está no foco do espelho côncavo e emite um sinal, este volta ao foco. A questão precisa ser ajustada para atender todos os tipos de evento." O engenheiro de áudio e produtor musical Frank Wohlers, que trabalhou no I Festival de Cultura e Arte da UFJF (Festival Sem Paredes) realizado no início do mês, explica que esse tipo de espaço é ideal para apresentações acústicas, por propagar a onda e fazê-la crescer, atingindo toda a praça. "Para shows com equipamentos, deve-se encher o palco a fim de evitar o retorno do som", ressalta, acrescentando que o fato não é percebido pelo público, já que o sistema de som consegue corrigi-lo. "O incômodo é do artista, que ouve sua voz um segundo depois. Mas isso é fácil de ser resolvido." Paschoal Tonelli assevera ainda que a concha vem sendo utilizada normalmente conforme a programação da UFJF. De acordo com a assessoria da instituição, desde o dia 10 de dezembro de 2010, data da inauguração, seis eventos com uso do palco aconteceram no local. Ainda não há previsão de outras ocupações.
Caminhos alternativos
Iniciada há cerca de 30 anos, a construção do Teatro Paschoal Carlos Magno foi interrompida por um problema geológico que deslocou os recursos financeiros. Em maio deste ano, o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, informou à Tribuna que o projeto de conclusão empenhado junto ao Minc não seguiu adiante, pois o convênio não foi firmado até a data limite (31 de dezembro de 2010). A cidade perdeu, assim, a verba de R$ 3,5 milhões, provinda de emendas parlamentares.
Na época, o superintendente apontou como caminhos alternativos a Lei Rouanet, novas interferências de parlamentares e um acordo direto com o Minc. Essa última possibilidade acabou se enfraquecendo. "O secretário executivo do Minc, Vitor Ortiz, recebeu vários convites, mas ainda não pôde visitar o espaço", explica Dutra. Por outro lado, como complementa ele, uma proposta foi encaminhada ao Minc e encontra-se em análise no setor técnico da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Se aprovada, demandará a captação de recursos via Lei Rouanet. "Acredito que o resultado saia em 60 dias", prevê Toninho, observando que a intenção é retomar as obras, mesmo que não seja possível finalizá-las na administração atual.
O Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM) passou por diversas reestruturações nos últimos meses – viabilizadas por meio de verba (R$ 181.250) do Fundo Estadual de Cultura (FEC) -, mas necessita de novas investidas. Segundo Toninho Dutra, até o momento, foram concluídas as etapas de descupinização e madeiramento, instalação da plataforma de acessibilidade e recuperação do telhado. Para isso, a Funalfa não precisou paralisar os eventos e assumiu parte dos custos. A partir de agora, como menciona o superintendente, as necessidades serão tratadas separadamente. "A pintura interna, por exemplo, terá solução doméstica." Já a revisão da parede externa, das galerias e da Sala Flávio Márcio depende de recurso externo. "Estamos tentando todos os fundos e editais, tanto para o CCBM quanto para a Biblioteca Municipal Murilo Mendes (BMMM)", comenta Dutra.
Revitalização sistemática
Outro tema que costuma protagonizar as conversas municipais é a Praça da Estação. De acordo com Toninho Dutra, um projeto de revitalização sistemática vem sendo elaborado. A proposta sugere o restauro dos prédios da antiga estação da Estrada de Ferro Leopoldina – que abriga o Museu Ferroviário – e da Estação Central do Brasil, hoje sede da Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras. Além disso, como salienta Dutra, estudos devem apontar outra destinação para os armazéns da Inventariança da Extinta Rede Ferroviária Federal SA e para o espaço do prédio cinza vizinho. "Queremos que o conjunto todo da praça seja recuperado", diz, confirmando a possibilidade de ampliação do museu, que ocuparia as duas construções ou parte delas, e de relocação da Sociedade Antônio Parreiras. "As negociações estão caminhando, e todas as medidas serão tomadas de forma consensual."









