Em sintonia com o jazz
Conhecido no mundo inteiro pela sofisticação e por baladas de atmosfera romântica, o jazz ganha uma noite especial em Juiz de Fora, encabeçada por artistas que fazem parte do seleto grupo dos principais representantes de sua produção atual. Com nove anos de existência, o Savassi Festival, de Belo Horizonte, chega pela primeira vez à cidade, levando os norte-americanos Cliff Korman, Kevin Mahogany e Billy Drewes ao palco do Theatro Central, na noite de amanhã.
O pianista Korman será o primeiro a se apresentar. Ele estará acompanhado de um sexteto concebido há seis anos, em Nova York, tendo Billy Drewes como cantor principal. Esta é a primeira passagem do seu projeto pelo Brasil, onde os shows ganham "um balanço diferente", na definição de Korman. Ele adianta que o público pode esperar a performance de um conjunto em que os integrantes estão se divertindo, enquanto aprendem uns sobre os outros. Além disso, o grupo trabalha "para fazer uma música interessante e criativa".
Quem for à apresentação estará diante de um artista que se diz apaixonado pela música brasileira, uma constante no trabalho de Korman há, pelo menos, 25 anos. Em entrevista à Tribuna por e-mail, ele conta ter conhecido os ritmos nacionais por meio do repertório da bossa nova, na década de 1960. "Como um jovem músico, ouvia canções de Tom Jobim, como ‘Corcovado’, ‘Insensatez’ e, claro, ‘Garota de Ipanema’." No início da década de 1980, ele teve acesso ao que define como "uma versão rica e variada da música brasileira." Foi quando se encontrou com Paulo Moura, que o apresentou ao choro e ao jazz-samba instrumental. "Eu ouvi Milton Nascimento e seu grupo em Wayne Shorter’s ‘Native dancer’ e, em Nova York, comecei a tocar com um grupo de músicos brasileiros, que me mostrou a fase de ouro da MPB."
Korman passa a maior parte de seu tempo pesquisando os aspectos presentes nas similaridades e nas diferenças entre o jazz e a música brasileira. "Os dois são essencialmente ‘americanos’, nascidos principalmente das combinações da cultura musical dos colonizadores europeus e das práticas performáticas da África. Acho que ambos têm uma prioridade em manter um fluxo de tempo ou pulso, aspectos da improvisação, e a tradição de elementos que são transferidos de músico para músico."
Entre os grandes nomes do jazz contemporâneo, Kevin Mahogany é a segunda atração da noite. O cantor tem na bagagem 11 álbuns como artista principal e vários outros como acompanhante. Natural de Kansas City, onde, aos 12 anos, já tocava saxofone, teve seu talento descoberto no último ano de escola. Mas foi só ao ingressar na universidade que Mahogany passou a se enveredar pelo canto, chegando a ter seu próprio coro de jazz. De lá para cá, coleciona elogios de peso, como a classificação de "maior vocalista de sua geração", pela "Newsweek", e "um dos primeiros verdadeiramente talentosos cantores que emergiu em anos", pela "Times".
Para falar sobre o reconhecimento pela crítica, Mahogany lança mão da modéstia. "Meu nome no topo das listas significa que as listas ainda se lembram de mim. Eu tento expandir o número de ouvintes sempre que posso."
O cantor chega à cidade sem grandes pretensões. Embora ainda não saiba qual será o repertório, as baladas têm lugar marcado no set list. Para quem gosta da dobradinha jazz-bossa nova, Mahogany não descarta a possibilidade de "Garota de Ipanema" estar no espetáculo. Para ele, a junção dos dois ritmos é bem-vinda. "A música brasileira e o jazz se encaixam muito bem."
Projeto piloto
A inclusão de Juiz de Fora no roteiro do Savassi Festival, com Rio de Janeiro e São Paulo, é vista pelo organizador local, Emerson Laender, como "um projeto piloto". Segundo ele, a proposta é abrir espaço para que o evento volte com dimensão ainda maior no ano que vem, incluindo performances nas ruas, como já acontece na capital mineira."Não há muitas opções em apresentações de nomes consagrados da música mundial em Juiz de Fora. Queremos inserir a cidade na rota dos grandes festivais."
Para Emerson, devido à presença de importantes escolas de música e uma forte atmosfera cultural, Juiz de Fora tem potencial para receber esse tipo de evento. "A música instrumental, apesar de não ter espaço na mídia, como a música pop e o sertanejo, tem sempre um público cativo." Além disso, segundo ele, o festival também traz a proposta de trazer novos admiradores.
Para os amantes da fotografia, o festival oferece o concurso "Fotografe o jazz", em que o público poderá enviar imagens das apresentações à organização do evento até o próximo dia 28. Serão selecionados dez vencedores, que terão suas imagens exibidas em exposições promovidas pelo festival. As fotos podem ser feitas por qualquer participante, durante as apresentações oficiais, por meio de qualquer tipo de câmera, incluindo celular.









