Entre a ficção e a realidade
O filme Girimunho, dos estreantes em longa Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina, está em cartaz em Juiz de Fora, após estreia nacional no Festival do Rio em novembro de 2011 e temporada de sucesso em outros festivais do Brasil e do mundo. Exibido também em Veneza, Toronto, San Sebastián, Mar Del Plata, Nantes, Roterdã, Nova York e Havana, o longa foi à 35ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, à IV Janela Internacional de Cinema de Recife (PE) e à Mostra de Tiradentes, esta última em janeiro deste ano.
Caminho natural para produções cuja distribuição tem orçamento baixo, as mostras oferecem portas de acesso para obras de cunho independente e autoral. Ganhamos visibilidade com estes festivais, reforça Clarissa Campolina, informando sobre os R$ 100 mil disponibilizados para a circulação do trabalho, filmado na cidade de São Romão, no Norte de Minas.
No sertão mineiro, onde o tempo parece andar no ritmo do rio, duas senhoras acompanham o girar do redemoinho. Bastú acaba de perder o marido Feliciano e, sem choro, busca abrigo nos sinais do dia a dia e em suas lembranças. Mas é na liberdade dos sonhos e nas novidades trazidas pelos netos que ela faz sua própria transformação. Já Maria do Boi carrega em seu tambor a alegria e a força de seu povo. Seu batuque ecoa os sons de outros lugares e marca a presença daquilo que não pode morrer. Neste universo em que a tradição é surpreendida pela novidade e a realidade, pela invenção, pequenos movimentos podem fantasiar o correr da vida, define, por e-mail, Helvécio Marins Jr.
Clarissa Campolina acrescenta: O filme fala de uma forma muito honesta e sincera sobre um jeito de olhar para o mundo, sendo muito generoso com os relatos advindos de fatos e imaginação dos personagens.
O projeto foi iniciado em 2003, dentro do programa Cinema no rio, em que obras cinematográficas nacionais são exibidas ao longo das cidades próximas ao Rio São Francisco. O argumento é assinando por Helvécio Marins Jr., que, desde 2000, pesquisa a vida dos moradores do sertão mineiro. Clarissa Campolina destaca ainda que a trama mistura realidade e ficção na medida em que conta uma história reinterpretada pelo personagem que a viveu. Recolhemos as narrativas para um roteiro de ficção, mas ninguém melhor que elas (Bastú e Maria do Boi) faria os papéis, avalia.
Produzido pelo Núcleo de Pesquisa e Produção Audiovisual em Belo Horizonte (Teia) e a produtora Dezenove Som e Imagens, Girimunho, palavra que não existe no vocabulário, carrega no título a mistura orgânica entre o que é e o que não é real. ‘Girimunho’ mistura girar com redemoinho, que, no interior, alguns chamam de saci, esclarece Clarissa, que, numa destas viagens pelo Cinema no rio, ouviu um menino gritar o que veio a se tornar o nome estampado no cartaz do filme.
GIRIMUNHO
Alameda 3: 14h, 18h e 21h50
Classificação: 10 anos









