Registros cotidianos, históricos, contemporâneos
A cada ano, uma mostra a mais, novo olhar lançado por meio da arte de fotografar. Será aberto hoje, às 19h, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), o projeto "Foto 13", promovido pela Funalfa. Seguindo a ordem das duas últimas edições (Foto 12 e Foto 11), em 2013, 13 mostras compõem a programação oficial do evento, maior da categoria na região. A proposta é comemorar o mês da fotografia, ampliando a visibilidade dessa linguagem artística e promovendo o diálogo dos profissionais com o público e com o que é produzido em outras partes do país e do mundo.
"Novas tendências e talentos, artistas da cidade e de outros lugares do país evidenciam novos personagens, reverenciam a memória e prestam tributos a grandes colaboradores, valorizando o ‘saber-fazer’ da arte de fotografar e revelar", resume o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra. Na mesma noite, acontece o lançamento do livro "Imagens do povo", desenvolvido pelo Observatório de Favelas, que reúne imagens de 25 fotógrafos. Na abertura, serão realizadas as intervenções fotográficas "Carte de visite", com curadoria do coletivo O Escambal (Rio de Janeiro), e "Construindo", de Camila Marchon. O primeiro dia do evento será encerrado com o encontro de fotógrafos e curadores, às 21h, também no CCBM.
Embora não tenham feito da fotografia objeto central de suas obras, os homenageados desta edição, Arthur Arcuri e Hamleto Fellet, deixaram em suas gavetas memórias representadas por belos conjuntos de imagens. Arcuri foi um "homem comedido em palavras, mas não em gestos e ações", como lembra sua filha Alice Arcuri, em texto para a mostra "Arthur Arcuri, simples e genial". A exposição revela outra faceta da produção daquele que assinou importantes projetos arquitetônicos na cidade, a de fotógrafo.
Foi a partir da fotografia que Arcuri, que completaria 100 anos em 2013, buscou referências para seu entendimento nas outras artes. "A dicotomia e a aproximação entre forma e conteúdo, claro e escuro, profundo e superficial, expressões e paisagens, ângulos e planos estão presentes nas suas fotografias, nos seus projetos arquitetônicos, nos seus escritos, num esforço de compreender, filosoficamente, a existência humana", completa Alice.
A fotografia também ocupou lugar singular na vida de Hamleto Fellet. Médico, não deixou de conciliar a profissão com a antiga paixão cultivada desde a adolescência, quando carregava a tiracolo a pequena máquina fotográfica, como contou a esposa, Yolanda Pacelli Fellet, na época de seu falecimento. As dores e amarguras vivenciadas no cotidiano eram, à noite, em seu recanto, esquecidas pelo encontro de Fellet, como propõe a viúva, com seu "eu", que "monta suas imagens, cria-as, grava-as no papel, envia-as ao mundo – mensagens sublimes de amor – paz – espiritualidade". A produção fotográfica de Fellet conquistou prêmios no Brasil e no exterior.
Ainda integram o projeto exposições de outros juiz-foranos. O recorte da grande produção de Heitor Magaldi resultou na mostra "Mineirices", registro íntegro da realidade captada pela câmera analógica do fotógrafo. O repórter fotográfico da Tribuna Fernando Priamo apresenta imagens comoventes de um campo de concentração nazista em "Retratos de Auschwitz. A arte em busca da paz". Já o professor do Instituto de Artes e Design da UFJF Afonso Rodrigues assina curadoria da exposição coletiva "O olho armado: pluralidade de olhares".
Jovens fotógrafos vencedores do II Prêmio Funalfa de Fotografia também estarão representados nas galerias do CCBM – Edson Rodriguez, com "Polemologia da paz humana", Letícia Vitral, com "Dispositivos de esquecimento", Rodrigo Souza, com "Sorria", e Carlos Velázquez e Renata Meffe, com "V a z i o".
A obras contemporâneas de fotógrafos de outros centros – "Arqueologia da futuras ruínas", de Felipe Varanda, "Na veia", de Ratão Diniz, "Fotografias", de Camila Marchon, e "Buscadores", de Calé Merege – trazem novos universos à mostra – e à cidade.
Além da mostra oficial, o "Foto 13" conta ainda com três exposições paralelas. "Amores", produzida pela Divisão de Memória da Funalfa, expõe, no Saguão da Reitoria da UFJF, imagens dos principais grupos étnicos que ajudaram na formação da identidade cultural de Juiz de Fora. Realizada pela Fundação Banco do Brasil, em cartaz a partir de quarta no Centro Cultural Dnar Rocha, "Drummond, testemunho da experiência humana" traça a trajetória do poeta e escritor, representada em 16 painéis com fotos, ilustrações, poemas e documentos diversos. "Postal de domingo", do agora intitulado Escambal (fusão do coletivo O Estandal com o Foto Escambo), fecha o programa, podendo ser visto no CCBM.
FOTO 13
Abertura hoje, às 19h
De terça a sexta, das 9h às 21h, sábados e domingos, das 10h às 21h. Até 13 de setembro









