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‘Injeção paralâmica’


Por JÚLIA PESSÔA

10/05/2013 às 07h00

Com letras novas e muitas exclamações. Segundo o músico Herbert Vianna, é assim que os Paralamas do Sucesso pretendem comemorar os 30 anos de carreira completados em 2013 e comemorados ao longo do ano com shows por todo o país. Uma produção tão grande em casas de referência nacional é uma experiência nunca dantes navegada pela nossa astronave. Mas, no palco, a coisa flui naturalmente,o som acontece, não importa se estamos em capitais ou em pequenas cidades do interior, conta Herbert, que comemora as três décadas de banda ao lado dos companheiros Bi Ribeiro e João Barone.

No repertório, hits que ganharam a ponta da língua de diferentes gerações, como Lanterna dos afogados, Meu erro, Uma brasileira, Cuide bem do seu amor, Óculos, Vital e sua moto e tantos outros (ufa!) se misturam a canções lado B como Patrulha noturna (do primeiro álbum de 1983).

A ideia foi fazer algo bem dinâmico e que as pessoas realmente gostassem, para não causar tipo algum de aborrecimento ou aquela plateia ofegante, cansada, brinca o vocalista do grupo. Queremos mesmo é dar uma ‘injeção paralâmica’ nas pessoas, fazendo o que sabemos melhor.

O trio também aproveita a comemoração para tocar canções que os influenciaram ao longo dos anos, como Whole lotta love, do Led Zeppelin, Won’t get fooled again, de The Who, além de citações a colegas de geração como Legião Urbana e Lulu Santos.

O resultado tem sido casa cheia em São Paulo e no Rio, por onde os rapazes, todos cinquentões, já passaram. É muito difícil descrever a emoção de fazer um show assim na presença dos nossos melhores amigos, com o público cantando junto tudo o que fizemos, pensar que conseguimos chegar a um solo que pensamos ser inacessível um dia, avalia o músico.

Que não se confunda reverência às conquistas com saudosismo. Não estamos com a atitude de olhar para trás, para o que já fizemos, mas, sim, abertos a um novo ciclo, os próximos 30 anos, um recomeço, garante Herbert. É isso que cria novas relações humanas, afetivas, e cria novos trabalhos.

Acrescente a estas experiências a solidez da banda, que acumula 19 álbuns e nove DVDs, marcados pelos metais de apoio, pela bateria vibrante de Barone, pelo implacável baixo de Bi e pelo timbre inconfundível de Herbert: já é possível ter altas expectativas para o que vem por aí. Todas as nossas canções são gritos de necessidade, que fluem naturalmente de nossa relação com o dia a dia, o mundo e as pessoas, arremata o músico.