As vias do mínimo para o máximo
Uma aldrava é aquela argola que, fixada na porta, serve para anunciar a chegada, sugerindo a abertura. Quando a professora aposentada pela UFJF e escritora tornou-se imortal da Academia de Letras de Mariana, estreitou seus laços com um movimento que dava seus primeiros passos, tomando como ponto de partida a peça comum na idade média. O grupo Aldrava Letras e Artes, da cidade histórica mineira, apresentou à Cecy uma forma poética que se assemelhava à síntese do haicai e das trovas, mas com uma liberdade muito maior. Eles imaginaram um tipo de poesia em que haveria bastante simplicidade sem perder a poeticidade. O máximo de poesia com um mínimo de palavras, explica a escritora, que lança hoje o livro Crepusculares (Editora Aldravias).
As 222 aldravias de Cecy, nome definitivo para a forma de no máximo seis palavras dispostas uma sobre as outras, formando um poema vertical, refletem sobre a vida, o amor e outras sensibilidades cotidianas. Embora eu admire os sonetos, gosto muito dos versos livres. A minha emoção flui muito melhor com essa liberdade da forma, ressalta, afirmando que os textos surgem-lhe com naturalidade e, também, de maneira simples. As aldravias aguçam a sensibilidade, completa. E o 26º poema, flores / secas / chorando / tristeza / na / jarra, é prova disso. O 13º também: sozinho / descubro / que / sou / boa / companhia.
Como apresentava Ezra Pound e diz o senso comum, menos é mais. E J.B. Donadon-Leal, Andréia Donadon-Leal, Gabriel Bicalho e J.S. Ferreira, poetas e estudiosos de Mariana que investigaram a forma e a deram nome, defendem o argumento na mesa-redonda que integra o lançamento. De acordo com Cecy, eis uma via poética que merece ser desbravada.
Crepusculares, lançamento e mesa-redonda hoje, às 19h, no Museu de Arte Murilo Mendes (Rua Benjamin Constant 790 – Centro)









