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Carlos Fernando lança CD no Rio de Janeiro


Por BRUNO CALIXTO

29/03/2012 às 06h00

Rio – Se dependesse do compositor Carlos Fernando Cunha, a rodovia que corta Juiz de Fora sentido Rio de Janeiro seria do tamanho do palco do Centro Cultural Carioca, no Rio, onde ele lançou seu CD de estreia, "Zeroquarenta" na última quinta. Natural de lá, o compositor tem residência aqui, onde mora com a mulher e o filho juiz-forano Arthur. Daí a escolha pelo projeto que mescla referências mineiras e fluminenses nas 13 faixas do disco patrocinado pela Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura.

O show, inclusive, foi uma homenagem aos dois estados. Além das autorais, ele reuniu canções de compositores mineiros, como Mamão ("Tristeza pé no chão") e Geraldo Pereira ("Sem compromisso"), além de interpretações de sambas ligados a seu berço musical, a Unidos de Vila Isabel, como a do cantor, compositor e percussionista Marcelinho Moreira, em "Filosofia de vida", de Martinho da Vila. Entre as canjas femininas, a juiz-forana Fernamda Ca e a carioca Gabi Buarque presentearam a noite, respectivamente, com suas versões para "Fita amarela" e "Feitiço da Vila", ambas de Noel Rosa. Da plateia, o cantor, compositor e violonista Cláudio Jorge engrossou o quorum de personalidades ligadas à agremiação azul e branco.

Entoando sambas e bossas gravados com a participação de juiz-foranos como Roger Resende – diretor musical e violonista do show – e cariocas como Ana Costa, Dirceu Leitre e André Pires, Carlos Fernando cantou para familiares e amigos que alugaram uma vã para o prestigiar, contando com músicos daqui e de lá. "Foi a própria 040 no palco", brincou o compositor, referindo-se também aos locais Fabrício Nogueira (cavaquinho), Caetano Brasil (sopros) e Daniel Manga (pandeiro) e aos cariocas Erick Cardoso e João Paulo (percussão).

Com o objetivo de levar o "Zeroquarenta" às cidades cortadas pela BR, Carlos Fernando adianta que planeja iniciar a turnê por Belo Horizonte em junho.

Tribuna – O que te inspira mais por aqui?
Carlos Fernando – A cena cultural de Juiz de Fora é rica e variada. Impressiona a quem vem de fora este caldeirão cultural que merece e precisa de um pouco mais de "gás". A história da cidade, do seu povo miscigenado, suas relações com a Minas colonial e a modernidade carioca, seus ricos personagens, suas paisagens, tudo isso me inspira e me fez amar a "Princesinha de Minas".

– Sua passagem pela escola mineira Bituca também foi decisiva, não?
– Tive aulas com Babaya Morais, professora que modificou sensivelmente meu canto. Ela foi tão importante que a homenageei na faixa "Zeroquarenta". As aulas de Ian Guest foram fundamentais para despertar em mim o compositor. As oficinas com o Ponto de Partida ajudaram em como me portar no palco.

– Como agregar influências da colonial Minas à malandragem fluminense?
– Minhas influências mineiras vem dos tempos de criança. Os discos mais tocados em casa eram os do Milton Nascimento. Cresci ouvindo aquela voz de anjo e trovão. Mais à frente, descobri o Clube da Esquina, e aí não teve mais jeito. Ainda estudei a cultura popular mineira e seus ritmos na época de estudante na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Fiz parte do Núcleo de Folclore e Cultura Popular e ali conheci e pratiquei o congado, o moçambique e o modo mineiro de tocar tambor.

– Como anda sua proposta em recuperar trabalhos musicais daqui via UFJF?
– Meu trabalho iniciado no curso de música com a disciplina história da música popular no Brasil tem propiciado a elaboração de projetos que visam a investir na recuperação e preservação da música produzida em Juiz de Fora. A intenção é criar um banco digital de depoimentos de compositores e um documentário, além de investir em pesquisas sobre a história do samba na cidade.