Ouça agora

Arte para tocar


Por JÚLIA PESSOA

07/12/2012 às 07h00

É quase um sofrimento. Não consigo observar objetos do cotidiano e vê-los como tal, sempre enxergo um potencial artístico em qualquer coisa, diz o artista plástico Pury, nascido em Cataguases e residente em Juiz de Fora há mais de 30 anos. Segundo ele, este olhar diferenciado sobre o cotidiano pode ter vindo de sua formação como técnico em mecânica. A mecânica é baseada em encaixes, encontros. Com o tempo, fui descobrindo formas de juntar resto de marcenaria e outros trabalhos artisticamente, unindo suas formas e medidas com precisão. Até domingo, parte deste trabalho pode ser conferida no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), na exposição Aqui e ali.

Para Pury, as esculturas da mostra retratam uma evolução de seu estilo, que desde o início busca explorar materiais inusitados, normalmente descartados. Sempre usei este tipo de matéria-prima. Mas antes meus trabalhos eram muito planos, até que descobri que as obras podiam sair de suas bases, seja o chão ou as paredes, e com isso os trabalhos atuais são tridimensionais. Outra característica marcante nas peças é a abstração de formas conhecidas, fazendo com que a obra seja apreciada por si mesma, segundo o autor. Não quero que as esculturas remetam a nada: uma mulher, um pássaro, qualquer contorno familiar aos olhos. Alguns trabalhos até fazem essa relação, mas isso é raro e só acontece quando a própria matéria-prima já sugere uma imagem.

Além das 18 esculturas, a exposição possui 12 oratórios e 12 pinturas, e, segundo Pury, todas acabam tendo alguma relação entre si. Também costumo abordar as mesmas formas, mesmo nas pinturas. Para Pury, a receptividade da mostra, aberta em novembro, tem sido muito positiva. Vejo as pessoas mexendo nas esculturas, explorando os formatos, observando as cores. É isso que eu busco no meu trabalho. Faço arte para tocar e ser tocada.

AQUI E ALI

Esculturas de Pury

Hoje, das 9h às 21h, amanhã e domingo, das 10h às 16h

CCBM

(Av. Getúlio Vargas 200)