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Farsas cotidianas


Por RENATA DELAGE

26/09/2013 às 07h00

Na pacata vida de um casal, um segredo pode abalar o casamento, já comemorado com bodas de prata. Um funcionário público se apaixona pela moça da lotação, sem saber do mistério que a própria jovem não consegue esconder. Uma grande surpresa ronda a vida da secretária que sonha com o casamento. Um psiquiatra recebe uma paciente que não marcou horário, mas que vai marcar a vida dele para sempre. Histórias inventadas, mas que muito se assemelham a casos ouvidos cotidianamente. O espetáculo Adultérios e outras pequenas traições, da Cia da Farsa, de Belo Horizonte, estará, nesta sexta, no palco do Teatro Pró-Música, para revelar segredos que rondam as relações amorosas.

Juiz de Fora é a terceira cidade do estado a receber a comédia, com entrada franca, que conta com patrocínio do Fundo Estadual de Cultura (FEC). A peça, que já passou por Itaúna e Pouso Alegre, será apresentada ainda em Uberaba, Teófilo Otoni, Poços de Caldas, Governador Valadares, Ipatinga, Diamantina, Paracatu, Montes Claros e Varginha. Os ingressos devem ser retirados na bilheteria do teatro 30 minutos antes da apresentação, marcada para as 20h.

Dirigida por Sérgio Abritta nesta montagem, a companhia interpreta histórias fragmentadas, situações que nos remetem a realidades distintas – de uma família tradicional a relacionamentos pouco convencionais -, abordadas sempre de maneira bem humorada. Abritta também é autor do texto, escrito especialmente para o grupo. É uma ficção que bem poderia acontecer, avalia Alexandre Toledo, que integra o elenco ao lado de Alex Zanonn, Jacqueline Calazans, Marcus Labatti, Pedro Vieira e Sidneia Simões.

A partir de histórias entrecortadas, a plateia vai juntando fragmentos para compreender a trama, como em um mosaico, explica o ator. É uma comédia de enganos, na qual o enganador é, na verdade, o enganado. A trilha sonora é de Pedro Vieira, selecionada a partir das sugestões do grupo. O cenário é de Elton Monteiro e o figurino, de Alexandre Colla. Integram ainda a equipe Yuri Simon, responsável pela iluminação, e Márcia Carvalho, na maquiagem.

Gênero eclético

Abordamos alguns tabus sexuais, por isso é preciso estar aberto às piadas, observa Toledo. Para o ator, despir-se das censuras é essencial para que tanto o elenco quanto a plateia possam se divertir com o espetáculo.

O grupo possui no currículo trabalhos de gênero variados. A trajetória inclui duas montagens infantis de textos de Maria Clara Machado, Tribobó City (2002) e Aprendiz de feiticeiro (2009) – que já estiveram em Juiz de Fora -, duas montagens de obras de Ariano Suassuna, Farsa da boa preguiça (2003) e Auto da Compadecida (2008), O contrabaixo (2005), espetáculo baseado na obra de Patrick Süskind, Retrato falado (2005), texto de Teresa Frota, e Cuidado: Frágil!, drama resultado de criação coletiva. Além de outros prêmios e indicações em festivais do país, a companhia recebeu o 6º Prêmio Prêmio Usiminas-Sinparc de melhor espetáculo, com a montagem de Auto da Compadecida.

O que temos definido é que nossa linha é eclética, avalia Toledo, que já dirigiu o elenco em outras montagens. Temos preferência por autores nacionais, mas buscamos experimentar novos territórios, que possam levar a trabalhos de ator diferentes. A próxima montagem da Cia da Farsa se envereda pelas cores fortes da tragédia, abordando a obra de Nelson Rodrigues.

ADULTÉRIOS E OUTRAS PEQUENAS TRAIÇÕES

Sexta, às 20h

Teatro Pró-Música

(Av. Rio Branco 2.329)

Entrada franca. Ingressos retirados 30min antes da peça