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Diário de bordo


Por TIAGO VITOR FUNCIONÁRIO PÚBLICO

21/11/2012 às 07h00

Há um toque de Europa que me fascina em Buenos Aires. Ruas, árvores, prédios, cafés e livrarias colaboram ainda mais com essa paisagem. É fácil se encontrar nos mapas que são distribuídos aos montes logo que se chega ao aeroporto. A cidade é bem planejada, o que facilita traçar caminhadas, afinal, é caminhando que se conhece melhor os locais. Comecei por Puerto Madero, um fascinante exemplo de reurbanização. Um porto que se tornara obsoleto transformou-se em um charmoso bairro onde antigos armazéns e galpões abandonados tornaram-se restaurantes, hotéis, boates, cinemas e faculdades. Os guindastes desativados formam gigantescas esculturas que compõem uma paisagem única, contrastando com os arranha-céus espelhados do centro financeiro da cidade. Há ali também a Puente de La Mujer, uma ponte móvel que se abre para a passagem de pequenas embarcações, que é inspirada nas curvas femininas.

O Bairro La Boca, onde está localizado a Bombonera, estádio do Boca Juniors, é fascinante por sua cores. Fundado por imigrantes, tem seu colorido peculiar graças à explosão de cores que surgiu da tentativa de se reaproveitar ao máximo as sobras de tinta nos casebres feitos de madeira e paredes construídas com telha de amianto. O Caminito, a rua mais famosa do bairro, é também a que mais atrai os turistas, e é nela que a população local tenta ganhar seu dinheiro através de souvernirs, artesanatos ou posando para fotos em passos de tango orientados por dançarinos espalhados por todos os pontos. Tem um ar de melancolia e é considerado um bairro perigoso, mas durante o dia é possível caminhar tranquilamente.

Não imagine a Argentina com outra trilha sonora que não seja o tango. Ele está em todos os lugares! Seja nas lojas, nas caixas de som que acompanham os artistas de rua, que riscam as calçadas com passos precisos, ou até mesmo nos cafés que, não raro, possuem pequenos palcos onde são feitas apresentações diárias. Isso durante o dia, porque à noite há casas de show para todos os gostos. O Señor Tango é o mais famoso para os turistas, mas não é o mais original segundo os próprios hermanos. Talvez as milongas sejam as mais autênticas. Em algumas é possível fazer uma aula básica antes do show, arranhar alguns passos e sentir o tango no corpo a corpo.

Mas não só de tango vive a cultura da capital argentina. O teatro é forte e se faz presente em toda cidade, seja no Teatro Colón, com toda sua exuberância e imponência, ou na Avenida Corrientes, a Broadway portenha. São teatros e mais teatros com letreiros e neons ofuscantes que anunciam peças para todos os gostos. Os museus estão espalhados por toda a cidade, e o destaque vai para o Malba, Museo de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, onde está o Abaporu, de Tarsila do Amaral. Os cafés são um convite para as tardes frias. O mais famoso deles, o Café Tortoni, nos transporta para o passado, e a fila de espera na calçada é mais charmosa que entediante.

Se bater aquela fome, as deliciosas médias lunas, que são croissants argentinos, saciam com um sabor inigualável. Sem falar no autêntico bife de chorizo, a cerveja local Quilmes, os alfajores e o sorvete artesanal Freddo. Tudo delicioso! Há ainda a feirinha de San Telmo. Para os consumistas mais ávidos, a Calle Florida é um convite irresistível. Ah! E eles já aceitam o real faz tempo! Sem contar a El Ateneo – um antigo teatro transformado em livraria. A mais linda que já vi! Buenos Aires deixa gosto de quero mais. A vontade de voltar supera qualquer rivalidade, seja ela futebolística ou não. Embora seja tão óbvio que Pelé é infinitamente melhor que Maradona!