‘Ai, que vida boa, olerê’
"Vai passar nessa avenida um samba popular." É o que esperam presidentes de escolas de samba da cidade, carnavalescos e comunidades, sujeitos que se envolveram até o último fio de cabelo e dedicaram muitas noites para fazer de suas canções "uma reza, um ritual", levando à passarela "a procissão do samba". Inaugurando os desfiles na cidade, o grupo A leva à pista, instalada mais uma vez no trecho da Avenida Brasil entre as pontes dos bairros Manoel Honório e Santa Terezinha, sete agremiações.
Em busca de um desempate, as mais premiadas, Turunas do Riachuelo e Unidos do Ladeira, ambas com dez títulos, esperam sair à frente na galeria das campeãs. Primeira escola de samba fundada em Minas Gerais e quarta no Brasil, a Turunas reservou para esse ano um enredo sobre a água que o passarinho não bebe. Intitulado "Com um trago na mão e o samba no pé, Turunas canta a cachaça", o samba da Azul e Branco, entoado por Gê de Ogum e Ary Arantes, vai estar na ponta da língua dos 1.200 componentes que a escola leva para a avenida, divididos em 15 alas e seis alegorias.
Inspirada na poesia e tendo o amor como imperativo, a Unidos do Ladeira, escola nascida em 1976 como um pequeno bloco carnavalesco, preparou 700 componentes, 15 alas e quatro alegorias para contar e cantar Vinicius de Moraes, o poetinha. Na voz de Paulinho Jalão, o samba "Só ando em boa companhia com meu violão, minha canção e minha poesia – Centenário de Vinicius de Moraes" vai embalar a história que conta as muitas facetas do autor de "Canto de Ossanha".
Após ficar por três anos consecutivos na terceira colocação, a Partido Alto, fundada em 1967, aguarda um resultado melhor. Tocando em assuntos polêmicos, como a qualidade dos serviços de saúde, a pedofilia e o preconceito, a Verde e Rosa entra na passarela falando sobre o fim do mundo, anunciado pelo calendário Maia. Os 600 componentes, as 15 alas e as cinco alegorias apontam para as mazelas do mundo, indicando novas perspectivas. O intérprete Zezé do Pandeiro puxa o samba chamado "Não acabou… e agora?".
Tradicional agremiação, a Real Grandeza, acredita que o enredo sobre Paulinho da Viola trará, esse ano, o troféu da vitória, quase alcançado em 2012, quando ficou na segunda posição. Reunidos em 14 alas e seis alegorias, os 900 componentes prometem manter o mesmo fôlego do sambista veterano, que, ano passado, completou 70 anos. Puxado por Marcão Melodia, Ailton Jacaré, Gugu e Ronaldo Golfinho, o samba "Paulinho da Viola… e um rio que passou em minha vida…" carrega no refrão os famosos versos de "Timoneiro", o que indica para a possibilidade do canto pegar na avenida.
Com o mesmo ânimo que lhe rendeu o primeiro lugar em 2011, a Mocidade Alegre fala de medos e também da fé no samba "Por que sois tão medrosos, ainda não tens fé?", cantado por Márcio Moreno e Silas. A agremiação, fundada na década de 1970 e de volta aos desfiles desde 2003, após um hiato de 22 anos, leva para a apresentação 800 componentes, 15 alas e quatro alegorias, que falam da morte aos filmes de terror, passando pelas epidemias e assombrações, além de desbravar o universo das religiões e crendices.
Recente no grupo de elite, a Unidos das Vilas do Retiro promete honrar a premiação do último ano, que a levou, pela primeira vez, à disputa principal. Depois de muitas idas e vindas, a escola criada em 1988, nas cores azul, verde, amarelo e branco, homenageia uma das maiores sambistas do país: Beth Carvalho. O intérprete Ney Gerald promete comover o público e os 640 componentes da agremiação, que homenageia a cantora em 12 alas e quatro alegorias.
Sob confetes, serpentinas e com muito samba no pé, as escolas terão 60 minutos, no máximo, para cruzarem os 400 metros de comprimento da pista. Avaliadas por dez jurados, estrategicamente posicionados no centro da passarela, elas não poderão gastar menos de 40 minutos no percurso, que receberá, na noite de amanhã, outras seis agremiações do Grupo B e apenas uma do Grupo C. Segundo Paulo Mancini, presidente da Liga das Escolas de Samba de Juiz de Fora (Liesjuf), esse ano o espetáculo deverá ser ainda mais bonito, tendo em vista a preparação e a organização das escolas, que, em sua maioria, finalizaram os adereços e as alegorias com uma semana de antecedência. "O conjunto na avenida é outro visual", pondera Mancini, apontando que é na hora "H" que tudo deve estar certo.
A apuração do grupo A acontece amanhã, às 11h, no Anfiteatro João Carriço. As três primeiras colocadas voltam à avenida na terça-feira de carnaval, à partir das 21h, no desfile das campeãs.
‘Navegue’ pela Passarela do Samba

Estrutura na avenida
Ao longo da Passarela do Samba estarão disponíveis cem banheiros químicos, sendo dois adaptados para pessoas com deficiência. Nos setores de mesas e camarotes, garçons de um bufê da cidade, que montará um cardápio com opções variadas, atenderão o público. Já nas arquibancadas o serviço será feito por vendedores ambulantes credenciados. De acarajé a milho verde, passando por churrasquinho e pipoca, além de variadas bebidas, cerca de 50 ambulantes vão oferecer um leque de opções. De acordo com Mancini, os camarotes e as mesas já estão esgotados, mas ainda restam lugares nas arquibancadas. Os ingressos custam R$ 5 (cada dia de desfile) e podem ser adquiridos no stand de vendas localizado no Parque Halfeld, das 9h às 17h.
Garantindo a segurança dos foliões, todo o efetivo da Polícia Militar estará empenhado. São cerca de 500 policiais e 50 viaturas, além do serviço de inteligência da corporação. Fazendo a guarda da avenida, 80 seguranças privados, contratados pela Funalfa, também reforçam o trabalho. Das 20h às 5h, nos três dias de desfiles (de hoje à terça-feira), o Corpo de Bombeiros fará plantão com uma viatura de combate a incêndio na concentração e um veículo de Resgate na dispersão. Uma equipe médica e uma ambulância também estarão disponíveis no evento.
Com a Avenida Brasil fechada para veículos entre as pontes do Manoel Honório e de Santa Terezinha, o trânsito foi alterado nas ruas adjacentes. Estão interditados até as 18h de quarta-feira os seguintes trechos: Rua Duarte de Abreu, entre Avenida Brasil e Rua Henrique Burnier; Rua Senador Feliciano Pena; Rua Barão de Ibertioga; Travessa Nestor V. de Magalhães; Rua Frederico Lage, entre Rua Henrique Burnier e Avenida Brasil; Rua Dr. Luiz Andrés, entre Rua Henrique Burnier e Avenida Brasil e Rua Mariano Procópio, entre as ruas Antônio Lagrota e Marechal Setembrino de Carvalho.














