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O segredo é continuar


Por RAPHAELA RAMOS Repórter

29/11/2011 às 07h00

O terceiro e o segundo colocados já haviam sido anunciados. Pouco antes de ouvir o nome da cena que dirigiu, Tom Brynner não conseguia se decidir sobre seu palpite. Eles ficariam de fora? Ou seriam os vencedores mais uma vez? Até que o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, leu o resultado: o esquete Klaus e a chave tetra foi o vencedor do 3º Festival de Cenas Curtas de Juiz de Fora, encerrado no último sábado. Minha primeira sensação foi de alívio, comenta o jovem diretor. Ao lado de Felipe Moratori, Tom integra a Companhia Vinde Presto, presente entre os premiados em todas as edições do evento. Ao receber o troféu, Felipe avaliou a trajetória: mais importante que conquistar é manter.

Em 2009, o texto O jardim das cartas renunciadas foi escolhido como o destaque do festival. No ano seguinte, Estranho farol dos cacos ficou com o primeiro lugar. A vitória incentivou a dupla a estender a peça e inscrevê-la na Lei Murilo Mendes. Com o apoio garantido, eles se preparam para estrear em abril, mas já pensam no próximo projeto. Nossa ideia é ampliar também os outros trabalhos, avisa Felipe. De abril a novembro, os dois estiveram mergulhados no Curso de Teatro do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. Tom também arrisca algumas justificativas. Nós nos preocupamos com a linguagem e com cada detalhe, sem preguiça para criar e produzir.

Os jovens, de apenas 23 anos, elogiam o perfil dessa terceira edição do festival, que aceitou somente propostas com montagens e textos inéditos. Segundo Felipe, a regra permite que todos os inscritos tenham o mesmo ponto de partida. Afeito à escrita desde pequeno, o ator é formado em letras pela UFJF. Aos 7 anos, ganhei meu primeiro prêmio de poesia na escola. O teatro veio mais tarde, em 2008, com o Gattu – Grupo Amador de Teatro Técnico Universitário. Já Tom Brynner começou cedo nos palcos, aos 12, no Caic Santa Cruz. Foi lá que ele aprendeu a ambicionar uma possível perfeição.

Klaus e a chave tetra narra o conflito entre o personagem-título e seu pai. Em mundos diferentes, os dois entram em confronto, separados pela porta da frente. Antes, Klaus a esquecia destrancada, porém, com a chegada da chave tetra, passou a deixá-la na fechadura, o que impede a entrada do pai. Sozinho, o menino constrói uma realidade imaginária, traçando desenhos com um giz que encontrou em seu armário.

Com pitadas de humor, a cena Como descascar cebolas sem chorar, escrita e dirigida por Tairone Vale, aborda o universo feminino. A atuação de Lívia Gomes, muito aplaudida pela plateia, intensificou a comparação proposta pelo texto. Ao final, a personagem lança a pergunta: como se despir das cascas sem sofrer ou se angustiar? O monólogo ficou em segundo lugar nesta edição do Cenas Curtas, seguido por Cartas de amor ao próximo, com direção de Tascia Souza. Protagonizada por Breno Motta, a montagem mostra a delicada história de um homem que perdeu seu amor em um acidente de carro.

Os três vencedores receberam, respectivamente, R$ 5 mil, R$ 3 mil e R$ 1 mil. Houve ainda o prêmio destaque (R$ 1 mil), oferecido ao esquete Pandora e Panacéia, dirigido por Zezinho Mancini, pela ousadia e experimentação dos recursos técnicos e cênicos.