Cada vez melhores
Críticos sim, mas bem longe de ser panfletários. "Sem levantar bandeiras, nem ser partidários. Somos a favor do humor", garante Jovane Nunes, sem se eximir das críticas, legítimas a todo cidadão que se interessa pelo que acontece a seu redor. "Temos a liberdade de fazer piada com todo mundo", dispara o ator, integrante da Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo, que retorna a Juiz de Fora, com o espetáculo "Notícias populares", neste sábado (03), no Cine-Theatro Central.
Os idealizadores do ícone motivacional Joseph Klimber – personagem que deu uma guinada na carreira do grupo brasiliense após apresentação no "Programa do Jô", na Globo, em 2006, seguida da postagem badalada no site Youtube -, apresentam ao público um bem-humorado e insano noticiário. "Quando estava na faculdade, era leitor assíduo desse jornal que se chamava ‘Notícias Populares’, de São Paulo, porque era o mais barato e também muito engraçado", conta. "Daí surgiu a ideia de fazer esse noticiário, com apenas as chamadas, as ‘cabeças’ das notícias, que são interpretadas como realmente aconteceram", ri.
Crônica, editorial ou pertencente a qualquer outro gênero, a montagem que ironiza os exageros cometidos pela mídia transforma quaisquer fatos corriqueiros em comédia. "Há uma liberdade muito grande para toda a equipe criar, assim como há muita improvisação em cena. A improvisação faz com que o texto esteja vivo", avalia. "O comediante não pode ter medo de improvisar, de errar. Se a plateia rir daquilo que você criou, a piada fica. Se não, você não repete e pronto."
Com novos e velhos personagens em cena, a peça – de 1997, primeiro espetáculo do grupo a se transformar em DVD, gravado no Canecão, no Rio de Janeiro – terá oito esquetes. Histórias dramáticas e cômicas sobre personalidades, política e outras situações rotineiras são retratadas com performances impagáveis. Além da celebridade Joseph Klimber, em sua incessante busca pelo sucesso, estão presentes no repertório os policiais que tentam negociar com um assaltante fanático pela língua portuguesa que abate um refém a cada erro cometido por seus interlocutores, a cena dos rappers que falam a verdade das periferias e mais alguns probleminhas pessoais e a heróica narrativa do militar brasileiro enviado para combater nas forças de coalizão no Iraque.
Também figuram no noticiário o debate político conduzido por um jornalista absolutamente coerente com seus ideais, a verdade nua e crua sobre a intimidade dos policiais que fazem o patrulhamento ostensivo da cidade e o carnavalesco obcecado pelo sonho de brilhar na festa popular mais tradicional do Brasil. Os textos são de Jovane Nunes e Victor Leal.
História bem contada
A ideia inicial, em 2006, era não apresentar a esquete de Klimber no programa de Jô Soares, segundo Jovane Nunes. "Porque é uma cena muito longa. Mas acharam bacana e pediram que a interpretássemos editada, com alguns cortes. Na hora, acabou que fizemos a esquete inteira mesmo", ri. Gravada por um blogueiro da audiência, a postagem ganhou repercussão imediata. "Na época mal sabíamos que existia Youtube", completa Nunes.
"A rede é maravilhosa para a democratização do produto cultural. Você não depende de emissora, de gravadora. Hoje, grande parte da nossa divulgação é feita pelo Facebook". A página da companhia possui quase 300 mil "curtidas". Dez anos depois de sua estreia nos palcos, Os Melhores do Mundo lançam, até o fim do ano, seu terceiro DVD, gravado em Nova York, "Sexo – In the city".
Segundo Nunes, o texto da cena mais aguardada da noite é o que menos mudou desde sua estreia. Entretanto, a repetição de Klimber não se mostra enfadonha aos olhos do público. "Sem qualquer tipo de frescura, a presença do ator junto ao público cria uma energia. Aquele momento só vai acontecer ali, e é sempre diferente", diz. "Quando nos apresentávamos toda semana em Brasília, tinha gente que ia nos assistir toda semana", conta o ator, ressaltando que não há mal algum em quase voltar a ser criança e querer rir de uma situação inúmeras vezes.
Para o comediante, o que de fato não cansa é uma história bem contada. "Meus amigos ficavam bravos comigo quando disse que o stand-up comedy era como o bambolê. Uma febre que cansaria de uma hora para a outra", brinca. O fato de todos os humoristas terem resolvido investir no formato nos últimos anos, além da falta de novas montagens por cada um deles, dá ao stand-up, segundo Nunes, poucas ferramentas. "O ator que faz stand-up só tem um espetáculo, ao qual vai acrescentando novas piadas. Ter texto, personagens, um espetáculo mais variado, mais ‘completo’, deixa, de certa forma, mais confortável quem está assistindo", explica. "Não há nada mais forte na comédia que um bom personagem."
NOTÍCIAS POPULARES
Sábado, às 21h30
Cine-Theatro Central
(3215-1400)









