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Clássico som da juventude


Por MARISA LOURES

21/07/2013 às 07h00

Grupo é composto por cerca de 60 integrantes, com idades entre 13 e 25 anos

Grupo é composto por cerca de 60 integrantes, com idades entre 13 e 25 anos

O repertório que embalará esta noite o Cine-Theatro Central é secular, mas o som é jovem. Pela primeira vez na programação do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, a Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, composta por cerca de 60 integrantes, com idades entre 13 e 25 anos, promete traçar um paralelo dos períodos da música, começando com o clássico até o moderno. A apresentação começa com a abertura da ópera "A flauta mágica, "Die Zauberflote", de Mozart, passa por Borodin, com a peça "In the steppe of Central Asia", e finaliza com solo do violinista Dênis Pinheiro para "Introdução e rondo capriccioso", do compositor Camille Saint-Saens. "A ideia é fazer uma viagem musical", conta Vantoil de Souza, diretor artístico do conjunto e diretor do projeto "Música nas escolas", do qual também fazem parte a Orquestra Infanto-Juvenil, a Banda Sinfônica, a Banda Sinfônica Infanto-Juvenil, a Orquestra de Metais, a Orquestra de Jazz, a Orquestra de Cordas Suzuki e a Drum-Latas. A regência na cidade será do maestro Nilton Soares.

De acordo com Souza, apesar da pouca idade dos instrumentistas e da orquestra, que tem apenas oito anos, o diferencial do grupo é o alto nível técnico de seus membros. "Independentemente de ser uma orquestra nova e do interior do Rio, é um conjunto que vem produzindo um trabalho de qualidade com um grau de dificuldade altíssimo", afirma, citando importantes nomes que já dividiram o palco com a Sinfônica. Em 2011, ela acompanhou o Balé Kirov, de São Petesburgo, na Rússia, em cinco espetáculos no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e, já em 2012, o Balé do Teatro Alla Scala, de Milão, na apresentação de "Giselle", de Adolph Adams. Entre os brasileiros, estão artistas como Milton Nascimento, Ivan Lins, Gal Costa, Elba Ramalho e Ana Botafogo. O último foi o cantor e violonista João Bosco em concerto na última semana no 11º Festival Vale do Café.

 

Mais que um projeto social

"Não é só um projeto social, é um trabalho de capacitação profissional permanente", defende Souza fazendo referência ao "Música nas escolas. Criado em 2003 com o objetivo de fornecer aos alunos da rede pública de ensino de Barra Mansa um programa de desenvolvimento musical contínuo, o projeto chega aos dez anos atendendo um universo aproximado de 22 mil crianças e adolescentes do município fluminense. Após concluir o ensino médio, o estudante pode partir para um curso superior ou participar de um processo seletivo que dá direito a entrar para um dos grupos da iniciativa como músico, e também exercer atividades de monitoria. Neste caso, a remuneração gira em torno de R$ 1 mil. "Se o aluno não quiser seguir carreira, ainda assim ele terá um conteúdo cultural muito maior do que a média dos jovens do país."

Ao contrário do que muitos podem pensar, não é difícil chamar atenção de uma criança para um repertório de qualidade, conforme informa o diretor. O êxito com os pequenos tem revelado que o ensino gera benefícios que vão além do simples aprendizado musical. "Se fosse só a questão da música em si, estava fácil, porque, se o garoto não gostar, ele só sai de lá e pronto. Melhora a capacidade de concentração, disciplina e possibilidade de conseguir trabalhar em grupo", observa ele para logo colocar abaixo a ideia generalizada de que o repertorio clássico não atrai público. "A gente viu que a meninada só não começava mais cedo porque a mídia não fala sobre esse assunto. Não incentivamos somente o aprendizado de música clássica, mas também da música popular brasileira de boa qualidade. Quando a gente oferece isso para a criança, ela fica com um gosto musical mais apurado. A formação de plateia é outro diferencial. Quem tem contato com a música desde cedo vai ser um ouvinte compulsivo, vai passar a ir a concertos e a comprar CDs de obras clássicas."

ORQUESTRA SINFÔNICA DE BARRA MANSA

 

Hoje, às 20h30

 

Cine-Theatro Central

Entrada gratuita. Retirar ingressos neste domingo, a partir das 8h, no Teatro Pró-Música (Av. Rio Branco 2.329)