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Juiz-forano em prêmio nacional de literatura


Por Tribuna

12/10/2013 às 07h00

Contrariando o título de seu primeiro romance, O homem que não sabia contar histórias (Editora Record), o jornalista e professor da UFJF Rodrigo Barbosa recebeu um atestado de que as domina. Juiz-forano, o autor está entre os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, um dos mais importantes do país. Na lista, divulgada ontem, Rodrigo está entre os dez na categoria de autores estreantes. Entre os veteranos, disputam nomes de referência da literatura nacional, como Zuenir Ventura, Xico Sá e Daniel Galera.

Para o professor, a premiação é mais do que um reconhecimento a seu trabalho. É uma maneira de divulgar este livro, aumentar a difusão da literatura, além de uma grande alegria e um estímulo para continuar inventando neste campo. O prêmio contempla o vencedor com R$ 200 mil para o melhor livro do ano e o mesmo montante para dois estreantes (um com mais de 40 anos e outro abaixo desta faixa etária). A Secretaria de Cultura de São Paulo também promove encontros com os autores, para debater literatura. É uma oportunidade para trocar experiências e opiniões sobre forma, estilo, conteúdo, enfim, sobre o fazer literário, observa Rodrigo, que participará de sessões como estas nos próximos meses.

No livro de Rodrigo, ambientado em Juiz de Fora, o tempo é figura central, por meio de sequências históricas brasileiras. A realidade presente e momentos interiores do protagonista são algumas facetas da passagem temporal. Na trama, o protagonista José Brás vive questionamentos aos 40 anos e se descobre incapaz de contar histórias, ainda que não possa evitar vivê-las, como qualquer pessoa. O enredo desenvolve-se em três planos: o real, narrado em terceira pessoa; o da perspectiva individual do personagem, na primeira pessoa; e o imaginário, no qual o meteorologista Brás usa um velho caderno para reescrever sua trajetória, visitando referências musicais e fatos marcantes, como o Golpe de 1964 e o atentado no Riocentro. Tudo isso ao passo que pontos conhecidos do juiz-forano, como o Parque Halfeld, são revelados ao leitor.

Independentemente do resultado, Rodrigo comemora a indicação e mantém o fôlego para novos projetos. Atualmente estou muito envolvido com crônicas, até por serem meu objeto de estudo. Então, escrevendo tenho, além da perspectiva teórica, a visão do cronista. Mas tenho também ideias alinhavadas para novos romances, e a indicação certamente ajuda a dar a coragem necessária para encarar um novo desafio.