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Café com hip-hop retorna ao CCBM


Por MARISA LOURES

28/03/2013 às 07h00

É a juventude discursando sobre a inovação da sua comunidade. Foi dessa maneira que o MC Negro Bússola resumiu o objetivo do Café com hip-hop, que, depois de quatro anos desativado, retorna ao palco do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, nesta quinta-feira, a partir das 20h, com entrada gratuita. É uma noite que, acima de tudo, promete ser fiel às origens do movimento cultural que nasceu na década de 1970, atrelado aos problemas de ordem social, como pobreza, tráfico de drogas, violência, carência de infraestrutura e de educação das periferias. Vai ser um momento de troca de ideias. Queremos utilizar o evento como mensageiro coletivo. A meta é dialogar com os agentes envolvidos e fazer um diagnóstico sobre a violência na cidade, conta o MC, chamando atenção para o aumento no número de homicídios que vem acontecendo em Juiz de Fora, em especial o que ocorreu na tarde da última terça-feira no residencial Jardim Araucárias, localizado próximo ao reduto da Casa de Cultura Evailton Vilela, no Santa Efigência, coordenada por ele.

Temos a intenção de amenizar desentendimentos entre as gangues através da música, pois o hip-hop agrega comunidades. Os grupos de dança Community Street Dance Crew, GLP, Remiwl Street Crew, Expressão e Arte, além de b. boys, grupos de capoeira, grafiteiros e os MCs RT Mallone 2L, Lucios Tang, Chama de Fogo, Bart e Helry, são as atrações, que estarão, hoje, sob o comando de Bússola e do DJ Bruno Gonçalves.

Ainda na ocasião, serão lançados um circuito literário e dois concursos: o de redação, já realizado em outros anos pela Casa Evailton Vilela, e o de rap. De acordo com o organizador, a primeira iniciativa consiste em levar o hip-hop para as escolas através de trovas e repentes, sendo um instrumento de apoio do sistema de ensino. Marcaremos uma reunião com os secretários de educação e de assistência social e com o superintendente da Funalfa. É uma parceria para diminuir conflitos entre a rua e os colégios, já que muitos meninos que não estudam invadem as instituições para atrapalhar as aulas. Claro que antes nossa intenção é trabalhar com a equipe técnica da escola.

No concurso de redação, cujo tema será Violência até quando?, o participante deverá discorrer sobre como ele vê a violência, o que pensa sobre ela e o que deve ser feito para mudar esse quadro. Uma comissão formada por dez pessoas de várias áreas avaliará o texto que melhor retrate sua comunidade. Já no concurso de rap, os adolescentes terão que redigir sobre a paz. A ideia é que a disputa seja realizada em maio, na próxima edição do Café com hip-hop, que, conforme Bússola, já tem lugar garantido. Sobre as premiações, ele afirma que pretende firmar parcerias nos próximos dias. Já fechamos com o CCBM uma vez por mês. Vamos conquistar aquele espaço novamente, conclui.

CAFÉ COM

HIP-HOP

Hoje, às 20h

CCBM

(Av.Getúlio Vargas 200)