Doce conjunto
As flautas doces, cuja melodia ecoará na noite desta sexta-feira (19) na Igreja São Sebastião, foram feitas especialmente para serem tocadas juntas. Os instrumentos – da pequena flauta soprano à robusta contra-baixo – são cópias das usadas em interpretações de música sacra e profana no fim do século XVI e início do século XVII. "Elas foram feitas no Canadá, por um senhor especializado em flautas de conjunto", explica um dos diretores e músico de As Flautas de São Paulo, Ricardo Kanji, pela primeira vez no Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga. O grupo, formado ainda por Marília Macedo, Guilherme dos Anjos, Paula Callegari, Helena Zanin e Cesar Villavicencio (que também assina a direção do conjunto), é o único do país que possui instrumentos com tais características, que compõem um consort completo de flautas Praetorius.
Músico de grande atividade artística internacional, pioneiro nos anos 1960 com o Musikantiga, Kanji foi ou é professor de todos os integrantes do grupo, que reúne quatro gerações dedicadas à flauta doce e à pesquisa e à interpretação da música antiga. "Sempre estivemos unidos pelo estudo da música", comenta o mestre.
Embora formado em novembro do último ano, o conjunto já realizou concertos em São Paulo e no Festival de Música Antiga de Lima, no Peru. Para 2013, estão agendados concertos em Natal (RN), Alegre (ES), e na Semana de Música Antiga da UFMG em Belo Horizonte, além da realização do I Encontro de Flautas Doces da Barra do Sahy (SP).
Para a apresentação de logo mais, o grupo interpreta danças e polifonia inglesa e italiana do período renascentista. "É um repertório de música de conjunto muito bonito, sobretudo de composições da Inglaterra do fim do século XVI e início do XVII", compartilha Kanji. Entre os compositores lembrados no programa estão Orlando Gibbons, William Byrd, Giovanni Pedaggio e Christopher Tye.
Além de seu envolvimento com a interpretação do repertório antigo, o conjunto está elaborando estratégias para formar um grupo de pesquisa no Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de São Paulo. "O período renascentista é muito rico musicalmente. Não existiam solistas, mas famílias. Famílias de violinos, de fagotes, de trombones, de flautas. Mas para interpretar música antiga é preciso muita pesquisa sobre o contexto na qual ela estava situada, é preciso pesquisar os estilos, o ambiente social, a arquitetura, a pintura", explica o diretor do grupo, Cesar Villavicencio, também professor de flauta doce na instituição e um dos pupilos de Kanji.
"A época é muito rica, pois aconteciam mudanças severas. O Sol não girava em torno da Terra, e sim o contrário. A descoberta da América, do chocolate, da batata, do tomate. Eles saíam da peste para entrar em um contexto de inovações científicas, tecnológicas", prossegue Villavicencio, que tem levado a flauta aos novos campos de experimentação com a eletrônica. "É uma pesquisa que nunca foi feita."
AS FLAUTAS DE SÃO PAULO
Sexta-feira, às 20h30
Igreja São Sebastião
(Praça Hermenegildo Vilaça, s/n – Em frente ao Parque Halfeld)









