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Do flagrante ao delirante


Por LEONARDO TOLEDO

11/08/2011 às 07h00

Uma imagem pode se credenciar à eternidade por diferentes motivos. Do momento flagrado no calor dos acontecimentos à reinvenção da realidade, essa arte convida olhares a capturar o mundo no espaço de um enquadramento e na velocidade de um clique. Aberto hoje, às 19h30, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), o Foto 11 explora essa diversidade em mostras e mesas-redondas que contemplam aspectos da fotografia como memória, registro jornalístico e expressão artística. Promovido pela Funalfa, o evento acontece até o dia 11 de setembro e concilia o trabalho de profissionais experientes e jovens talentos da cidade, além de promover o diálogo com a obra de dois convidados, que exploram linguagens e temáticas diferenciadas.

A democratização se repete na escolha dos espaços que abrigarão as exposições. Além do CCBM, do Forum da Cultura e do Espaço Experimental Nina Mello, haverá exibição de fotografias nos pontos de ônibus da Avenida Presidente Costa e Silva e da Rua José Lourenço Kelmer, no Bairro São Pedro. Os abrigos receberão a série Paralelas, que reúne trabalhos de 11 fotógrafos da cidade. Segundo Toninho Dutra, esse tipo de intervenção reitera uma experiência bem-sucedida em outros eventos da Funalfa, de trazer a arte para o meio da rua, a exemplo do teatro de rua e das intervenções urbanas no Festival de Dança. A gente percebe uma resposta muito positiva do público, comenta o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra.

Conforme Dutra, a intenção é incluir esse tipo de manifestação no calendário de eventos da cidade, criando um espaço já efetivado em outras áreas da cultura, como o teatro, a dança, a música e a literatura. O ‘Foto 11’ nasce de uma necessidade de abrirmos um pouco a conversa com a fotografia, sintetiza.

Todos os olhares

Ainda segundo o superintendente, o formato do evento começou a ser concebido em conversas com profissionais do meio. A resposta da classe resultou na proposta de reunir a maior diversidade possível de linguagens e fontes relacionadas a essa arte. Assim, estarão incluídas nas mostras fotografias procedentes não só de autores em atividade, como de profissionais consagrados e do arquivo de entidades como o Arquivo Histórico e a Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro). Trabalhos dos fotógrafos Fernando Priamo, Marcelo Ribeiro e Paulo Rivello, da Tribuna, estarão presentes no evento, que também realiza uma homenagem ao fotógrafo Antônio Olavo Matos (Cerezo), falecido em abril, que também pertencia à equipe do jornal. Uma amostra de todo esse material estará presente no catálogo de 152 páginas, editado pela Funalfa, que será vendido ao preço simbólico de R$ 2.

O projeto, aliás, nasce com uma proposta de continuidade, presente no próprio nome do evento. Escolhido em referência ao ano de 2011, o número 11 está presente em vários elementos da programação, como data de abertura e encerramento, quantidade de mostras promovidas e número de profissionais envolvidos em algumas exposições. A ideia é que no próximo ano seja realizado o Foto 12, e assim por diante. Dessa forma, abrimos uma pista para os anos seguintes. O evento também marca o Dia da Fotografia, comemorado no dia 19 de agosto.

Além de mostrar a arte dos fotógrafos da cidade, o Foto 11 recebe exposições de dois convidados. A mostra Paisagem submersa flagra os últimos dias de uma cidade que está prestes a ser inundada para a construção de uma barragem em imagens de João Castilho, Pedro Motta e Pedro David. Misturando fotografia e pintura, a mostra André Burian em Ouro Preto traz uma nova perspectiva para o uso de cores e texturas.

Crônica por imagens

O homenageado da edição inaugural do Foto 11 é o fotojornalista Jorge Couri, que registrou Juiz de Fora por mais de 40 anos. A carreira de Couri será tema de uma exposição aberta hoje, no CCBM, que reúne 67 imagens capturadas entre as décadas de 1950 e 1980. Muitas dessas fotos foram recuperadas do arquivo do jornal Diário Mercantil, que, depois de um período em Belo Horizonte, passaram ao Arquivo Histórico Municipal de Juiz de Fora. São fotografias que estiveram longe do poder de seu autor por mais de 30 anos, desde que o periódico fechou as portas, em 1983. As fotos que compõe a mostra foram selecionadas de um universo de cinco mil exemplares.

A propósito, um dos legados do Foto 11 para a memória da cidade será o resgate de imagens pertencentes ao acervo do Diário Mercantil, que inclui flagrantes preciosos da cidade, feitos não só por Couri, mas por outros profissionais que passaram pelo jornal. Em parceria com o Arquivo Histórico Municipal de Juiz de Fora, a Funalfa vai realizar a digitalização das imagens. O evento também marca a transformação do Corredor Alternativo do CCBM em uma galeria dedicada à fotografia. De acordo com Dutra, o espaço deve abrigar, pelo menos, seis mostras do gênero em 2012.

FOTO 11

Abertura hoje, às 19h30

CCBM

(Av. Getúlio Vargas 200)