Aclamado ‘No’ estreia em JF
Marcando a volta de Gael García Bernal às telonas, estreia hoje na cidade o longa chileno "No", dirigido por Pablo Larraín e único representante latino-americano entre os indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Vencedor do Art Cinema Award na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela ao Festival de Cinema de Cannes, na França, o drama político retrata os bastidores do plebiscito em que o povo do Chile teve o direito de legitimar ou não o governo do ditador Augusto Pinochet.
O filme assumiu uma linguagem visual ousada, tendo o mesmo acabamento dos produtos audiovisuais da época em que a trama se passa, 1988, tendo sido filmado com câmeras de TV como as que eram então utilizadas. O resultado pode parecer incômodo para o espectador acostumado às imagens em HD que marcam a produção cinematográfica da atualidade, sob o risco de muitos confundirem o uso estético da baixa qualidade com uma possível inferioridade da cópia do filme. No entanto, a falta de foco e definição e o excesso de granulação em muitas cenas se mostram pequenos perto da absoluta sintonia entre a dramatização dos eventos e as imagens de arquivo, algo que permeia todo o filme.
"No" foi considerado uma das interpretações mais inspiradas de Gael García, na pele de um dos publicitários que encabeçam a campanha pelo "não" e evita tanto o clichê de um personagem idealista quanto os maneirismos comuns aos retratos de publicitários feitos pelo cinema. O contraponto entre seu personagem e Alfredo Castro, seu chefe numa agência de propaganda e rival político, é um dos pontos mais interessantes do filme.
Tendo dirigido "Tony Manero" e "Post mortem", filmes que, ao lado de "No", formam uma trilogia dedicada à ditadura de Pinochet, Larraín realiza, neste capítulo final, seu trabalho mais apurado e ambicioso, de uma fluidez impressionante para um filme do gênero.









