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Primata comemora três anos de samba


Por BRUNO CALIXTO

30/03/2012 às 06h00

A banda Primata comemora, hoje, três anos de estrada, sendo que um deles foi, quase que exclusivamente, dedicado à turnê Primata no Samba, nascida exatamente no aniversário de dois anos com a finalidade de, um dia, acabar. Mas não acabou. "Acho que a ideia de projeto dá um caráter de provisório, mas o Primata no Samba se tornou permanente. E começou como um desafio de explorar mais o samba dentro da proposta que já tínhamos com a banda. Então chamamos Natália Vargas e Alessandra Crispin para incrementar a formação", conta a vocalista, violonista e percussionista Tallia Sobral.

O show, marcado para hoje, às 22h, no Mezcla, terá as duas facetas da banda, composta ainda por Priscila Rocha (também violão e voz, além de flauta e gaita) e Rick Vargas (voz, percussão e cavaquinho). "Celebraremos os dois formatos que deram muito certo, produzindo músicas adaptadas a novos instrumentos e ritmos, com uma cara própria, músicas antigas e atuais, com nomes renomados e desconhecidos da cena, mostrando a pluralidade da canção como arte e cultura genuinamente brasileiras", garante Priscila.

O primeiro set será formado pelo que de mais versátil a banda local vem apresentando em espaços diversos da cidade. Priscila, Tallia e Rick cantam e tocam músicas de gente conhecida, como Lenine, Zeca Baleiro, Nando Reis e Vanessa da Mata, sem, no entanto, hesitarem em mostrar o trabalho de quem ainda não está no mainstream, como Giana Viscardi, Céu, Chicas, Marina Machado e Érika Machado.

A mistura musical, que sempre leva à busca do novo, permite também brincadeiras sérias nos arranjos, como as inusitadas castanholas em "Babylon", de Zeca Baleiro, e a suavidade quase infantil de uma flauta doce em "Esquadros", de Adriana Calcanhotto. Mais ainda, permite a inclusão de "Filme triste", música da década de 1960, sucesso do Trio Ternura e de Celly Campello. Todas estas e muito mais estarão no "caldeirão de ousadias escaladas para temperar a performance dos aniversariantes", conforme salienta Rick Vargas.

 

Assim se escreve, assim se canta

Entre uma canção e outra do vasto repertório de sucessos da música popular, o grupo apresenta suas autorais, a maioria de Priscila Rocha, como "Sei porquê", "A dela" e "Problema sem sentido". "A composição vem da necessidade de expressar algo", diz Tallia, que, embora ainda não tenha levado suas letras ao palco, se satisfaz – por enquanto – em interpretar a riqueza rítmica que vem da cultura brasileira, como a capoeira. É dela, por exemplo, o toque do berimbau em "Segue o seco", de Carlinhos Brown, e "Costura a vida", de Sérgio Pererê.

Natália, Alessandra e Rick se formaram na Universidade de Música Popular de Barbacena (Bituca), e Priscila passou pelo Conservatório Estadual Haidée França Americano. "As escolas de música sempre intensificam a formação, mas a versatilidade é mais ligada a vivências pessoais, família, amigos, atividades que costumam fazer. Por exemplo, a família do Rick e da Natália (que são primos) se junta uma vez por ano e faz um festival de música, o que contribui diretamente na formação musical e na versatilidade de todos eles", observa Tallia, única a não passar por escola de música.

PRIMATA NO SAMBA

Hoje, às 22h

Mezcla (Rua Benjamin Constant 720)