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Frequentadores reclamam de mau cheiro em lago do museu


Por Marcos Araújo

29/01/2017 às 03h00

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Além do tom esverdeado da água do lago, uma fina camada, como se fosse uma nata, podia ser vista sobre o espelho dágua na última sexta-feira no local (Foto: Fernando Priamo)

O clima bucólico que inspira as pessoas que procuram o parque do Museu Mariano Procópio está sendo afetado por um mau cheiro que emana das águas do lago existente no local. A Tribuna esteve no parque e constatou que, além do tom esverdeado, existe uma fina camada sobre o espelho d’água, como se fosse uma nata, que varia de cor entre verde escuro e verde claro e algumas manchas marrons. Segundo frequentadores, na última sexta-feira, havia três dias que o fedor incomodava quem caminhava ao redor do lago. “É um mau cheiro como se tivesse algo podre no fundo do lago, o que torna a sensação de estar aqui insuportável”, afirmou uma mulher que caminhava no parque, que é tombado pelo patrimônio nacional.

Já um homem que descansava com o filho chamou a atenção para o descuido em alguns trechos do parque. “Além do mau cheiro, é possível perceber a falta de limpeza em algumas áreas”, reclamou.

De acordo com a assessoria de comunicação da Prefeitura, a nova diretoria do Museu Mariano Procópio, que assumiu a gestão na última semana, destaca que a situação já foi identificada e que as providências estão sendo tomadas. O órgão ressalta ainda que o lago é artificial e abastecido prioritariamente pela água pluvial. O calor em excesso e a redução nas chuvas, casadas com a queda das folhas e a própria vida animal ao redor do espelho d’água, facilitam a proliferação das algas, que causam o odor e a aparência no lago. A direção do Museu ainda destaca que a água é analisada pela Cesama com regularidade e não há risco para a saúde nem dos frequentadores do parque e nem dos animais.

Pesquisa

Em abril de 2016, a superfície do lago do Parque do Museu Mariano Procópio amanheceu tomada por objetos que despertaram a curiosidade das pessoas. Naquela ocasião, uma equipe do Programa de Pós-graduação em Ecologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFJF colhia material para desvendar quais motivos levavam a água do lago a apresentar a coloração esverdeada. O professor que coordenava o trabalho, Marcelo Manzi Marinho, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), explicou, na época, que, por ser um lago artificial, sua água abriga um grande depósito de material orgânico, e que o excesso de nutrientes, proveniente da alimentação de peixes e das aves, também é aproveitado pelas algas, que crescem com mais rapidez e dão o aspecto esverdeado na água. Segundo a história, o lago do museu foi construído e projetado com cinco ilhas, sendo a “ilha central” coberta por um bambuzal. Estudiosos de jardins históricos apontam que a obra é um dos marcos do arquiteto paisagista e botânico Glaziou. A região, que no passado abrigava um pântano, hoje possui diversas espécies de árvores e animais.