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Mangá: desafios no mercado local


Por EDUARDO VANINI

28/08/2011 às 07h00

Embora o mercado editorial de Juiz de Fora ainda não tenha espaço para a produção de mangás, amantes da linguagem investem na produção local. De olho nessa demanda, o desenhista Alberto Pinto criou um curso específico para a técnica, após verificar o interesse por parte de seus alunos de desenho. Ele conta que a cena juiz-forana ainda é pequena, se comparada a outras cidades. Mesmo assim, há livrarias especializadas, em que os fãs se reúnem para jogar RPG e trocar revistas. Também há eventos de cosplay. Mas, sem dúvida, a grande reunião acontece na internet, nas redes sociais e nos blogs sobre o assunto. Já os admiradores da técnica demonstram descontentamento até mesmo com o comércio das revistinhas.

Apesar das restrições, Alberto acredita na existência de um nicho com potencial para ser explorado. Como ele ilustra, há grandes editoras brasileiras interessadas no ramo, embora ainda sejam raras histórias genuinamente nacionais.Temos o Maurício de Sousa, que abriu uma frente importante com a Turma da Mônica Jovem. Conversei com ele, em sua última visita a Juiz de Fora, e ele disse estar sempre em busca de bons desenhistas para seu estúdio. São Paulo, Curitiba e agora Belo Horizonte são grandes centros de produção. Além disso, toda agência de publicidade ou estúdio de arte e vídeo precisa de bons profissionais, tanto desenhistas quanto programadores. É só ver a quantidade de nomes japoneses que aparecem nos créditos dos desenhos animados, mesmo os que não são tipicamente mangá.

A desenhista Paula Santana entrou no universo dos desenhos japoneses quando tinha 7 anos, atraída pelo anime Honey Honey, sucesso na TV brasileira, na década de 1980. Hoje, aos 36, é aluna de um curso de design gráfico e estuda esse tipo de produção. Sou louca para trabalhar com mangá e acho que muita gente tem essa vontade. Entretanto, a desenhista, que já produziu algumas peças para um jornal carioca, sabe que esta é uma tarefa difícil na cidade, devido ao espaço praticamente inexistente. Quando querem trabalhar com mangá, as pessoas acabam fazendo fanzines. Outra alternativa é procurar a internet para divulgar e fazer contatos. Apesar da realidade, Paula acredita que se editoras locais se interessassem pelo ramo, teriam tanto mão de obra quanto público comprador. Isso porque, como ela observa, o número de interessados nessa cultura é cada vez maior.

Até mesmo para os consumidores, o mercado local não é favorável. O editor de vídeo Ronnie Pedra deixou de colecionar revistas do gênero devido à baixa qualidade do material comercializado nas bancas de Juiz de Fora. Segundo ele, os exemplares que chegam à cidade são restos do que já foi distribuído no eixo Rio-São Paulo e, por isso, têm qualidade de impressão ruim e são vendidos com dias de atraso. Acho isso injusto, porque há muitas pessoas interessadas nessas publicações. Além disso, os preços não são tão acessíveis para os mais jovens, já que as revistas custam de R$ 7 a R$ 15, sendo que algumas são quinzenais. Para fugir desses problemas, eles têm feito leituras de suas edições favoritas por meio de tablets. Para Ronnie, os entraves relacionados à distribuição acabam desestimulando os consumidores. Uma das consequências relatadas por ele é o fato de grupos que antes se reuniam para exibição e troca de materiais do universo mangá estarem perdendo a força.