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Menina dos olhos


Por Júlia Pessôa

30/05/2013 às 07h00

Edifícios, paisagens naturais, cenas urbanas, pessoas, lugares tradicionais, cantinhos especiais e tantas outras imagens. Com 882 fotografias, feitas entre 12 e 26 de maio, o concurso "Eu curto JF na Tribuna" mostrou diferentes facetas da cidade, capturadas tanto na correria do dia-a-dia, quanto em cliques de sorte, capazes de registrar cenas singulares.

Como um presente aos 163 anos de Juiz de Fora, celebrados amanhã, os participantes postaram no Instagram (aplicativo para smartphones) suas fotos da urbe, com a hashtag #eucurtojfnatribuna, também marcando o perfil @tribunaeucurtojf. Esta edição comemorativa traz os dez registros mais curtidos na rede social, e todas as cenas inscritas podem ser conferidas no site da Tribuna.

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‘Instagramer’ de carteirinha

Encabeçando a lista das vencedoras com 93 "likes" (curtidas), a foto de Mirela Schroder foi feita em pleno trânsito, enquanto a artista visual esperava o trem passar pela Avenida Juscelino Kubitschek, no trecho próximo ao Bairro Barbosa Lage. O resultado traz diversos tons de céu ladeados por uma torre, que fica próxima aos trilhos. "Poucas pessoas olham para cima. Quando fiz isso, vi que o céu estava lindo e que quase ninguém percebe aquela torre. Não tive dúvidas: desci do carro e fotografei."

Ávida ‘instagramer’ (usuária do aplicativo), Mirela emplacou outros três cliques entre os "dez mais" do concurso. O segundo mais curtido registra um local de passagem da artista, a composição entre a arquitetura do Edifício Stella Central, na esquina das avenidas Rio Branco e Itamar Franco, e o painel que decora uma de suas paredes. A terceira foto mais popular da disputa, também da autoria de Mirela, é a preferida da artista e exibe um cisne branco em uma coreografia com seu reflexo, no lago do Museu Mariano Procópio. "Tirei centenas de fotos e achei que essa chega muito perto da perfeição. O cisne está em uma pose imponente, e o reflexo compõe a cena de forma muito bonita", comemora ela. Já o quinto registro com mais "likes" é um recorte da Catedral emoldurado pela copa de uma árvore, feita durante um congestionamento na Rua Espírito Santo. "É a prova de que é possível achar beleza até em um engarrafamento. A Catedral é um símbolo da cidade que deveria ser mais enaltecido, é lindo à luz do dia."

 

‘Novos ângulos’

Com duas fotos entre as "dez mais", a aposentada Ana Maria Gerheim ficou com o quarto e o sétimo lugar, retratando duas luminárias de locais completamente diferentes da cidade. "Uma foi feita no Parque da Lajinha, que ficou tão lindo depois da reforma e que sempre procuro retratar. Tentei fazer uma imagem além do óbvio, mostrando só o detalhe da iluminação entre os galhos de uma árvore. Já a outra foi uma cena que me chamou muito a atenção, de um dia em que ainda estava escuro pela manhã, e as luminárias do Calçadão da Halfeld estavam acesas. Usei um ângulo diferente do campo visual habitual, e o efeito ficou muito legal."

Para ela, os próprios recursos do Instagram permitem esta reinterpretação do espaço urbano. "Os usuários não apenas podem ver a cidade de outra forma com filtros e recursos de edição, mas podem também participar desse processo ativamente, produzindo imagens." Como Ana, o estudante de Medicina e modelo Henry Cândido abusou das possibilidades do aplicativo para reinventar Juiz de Fora. "Tenho aquele olhar de carinho, de quem mora aqui há muito tempo. Com o concurso, comecei a perceber além disso, que a cidade hoje ganha aspectos divergentes: o antigo e o moderno, o rico e o pobre, e tantos outros que compõem uma beleza por meio de contrastes."

A receita deu certo. Com duas fotos do Museu Mariano Procópio, uma de uma ponte sobre o lago e outra das escadas próximas à entrada, Henry ocupou o sexto e o oitavo lugar entre as mais curtidas. "Corro no jardim diariamente, o que é uma inesgotável fonte de inspiração, já posso desfrutar das variações de luz e da vegetação conforme as estações passam."

Especialista em diagnóstico por imagem, o médico Humberto Hollanda também lançou seu olhar clínico para presentear a cidade com duas de suas imagens entre as mais populares. A nona traz a captura de um momento singular: o detalhe de uma borboleta pousada sobre uma folha, também no Museu Mariano Procópio. Já a décima mais curtida pelos "instagramers" contraria o bordão de que Minas não tem mar, mostrando uma verdadeira maré de nuvens no céu azul do outono juiz-forano, que arrebentam sobre os morros e prédios da cidade. "Ando sempre com o telefone e fotografo a cidade com frequência, o concurso foi uma oportunidade muito boa para mostrarmos e vermos a beleza que muitas vezes desaparece no cotidiano", avalia o médico.

 

 

Equipe de fotógrafos da Tribuna elegem suas fotos preferidas do ‘Eu curto JF na Tribuna’

Com a grande participação dos leitores, a Tribuna fez também a seleção das dez melhores fotos do concurso "Eu curto JF na Tribuna", contando com a avaliação de um júri técnico, a equipe de repórteres fotográficos do jornal, composta por sete profissionais. "Cada um escolheu dez imagens de sua preferência, e, entre estas, elegemos as dez melhores coletivamente", explica o editor de fotografia Roberto Fulgêncio.

Três registros da seleção dos profissionais também figuraram na lista das fotos mais curtidas: a imagem do "Mar de nuvens", do médico Humberto Hollanda; a torre próxima aos trilhos do trem, de Mirela Schroder; e a luminária do Calçadão, de Ana Maria Gerheim, que também conquistou o olhar do júri com um recorte inusitado da capela da rodoviária. "Foram imagens que surpreenderam, foram além do lugar-comum no olhar, mesmo fotografando a partir de cenas cotidianas, como o céu, a passagem do trem e o Calçadão", opina Marcelo Ribeiro.

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Tradição e modernidade

Para Fernando Priamo, o que mais chamou a atenção foram os registros da arquitetura juiz-forana, bastante explorada nos cliques dos instagramers. "Juiz de Fora tem uma arquitetura privilegiada, e o concurso ajudou a enaltecer isso. Vimos muitas fotos tanto de paisagens arquitetônicas quanto de detalhes de edifícios, o que é muito interessante em uma época em que este lado da memória da cidade está sendo apagado, com a derrubada de grandes casarões e prédios históricos, por exemplo", avalia.

Aproveitando-se disso, o engenheiro Potiguara de Oliveira caiu nas graças do departamento de fotografia, tendo duas de suas fotos "arquitetônicas" entre as "dez mais". "O que mais me atrai no Instagram é poder conhecer o mundo por meio dos olhares de pessoas como eu. Gosto da informalidade, de como as pessoas mostram os lugares onde vivem e por onde passam, e foi isso que fiz: compartilhei meu olhar", conta ele, que registrou uma das torres do Colégio Santa Catarina e a cúpula da Catedral Metropolitana à noite, entre os galhos de uma árvore. A natureza também não fugiu ao olhar de Potiguara, que flagrou a floração de um ipê-rosa na Praça do Riachuelo.

Debruçando-se sobre o cotidiano, Lisia Azevedo clicou, de dentro do seu carro, o relógio da estação. Já Alexandre Delgado fotografou o interior do Cine-Theatro Central, mostrando o detalhe do belíssimo teto da casa. "É uma foto que requer um olhar apurado, uma sensibilidade diferenciada, que pode passar despercebida para muitas pessoas", diz Fernando Priamo. Em contraponto a tantas fotos de referências tradicionais, Taian Raphael optou por mostrar uma Juiz de Fora moderna, registrando os altos prédios residenciais que tomaram conta do cenário urbano.

Para Roberto Fulgêncio, o sucesso do concurso demonstra o grande apelo que a fotografia exerce sobre as pessoas. "Passei por diversas transformações tecnológicas na área, e, hoje, produzir uma imagem bonita é muito mais rápido e fácil. Foi muito interessante ver essas fotos e observar a sensibilidade apurada de pessoas que não necessariamente dominam técnicas. Também foi bonito ver as diferentes formas como a aniversariante de honra foi contextualizada, mesmo em imagens que mostravam somente detalhes."