Preciosidade germânica
O 13º CD da Orquestra Barroca do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga será lançado hoje, às 20h, no Museu de Arte Moderna Murilo Mendes (Mamm). Neste ano, o conteúdo do CD faz referência ao barroco alemão, com obras de Georg Philipp Teleman, Johann Sebastian Bach e Johann Gottlieb Graun, compositores de destaque nesse período que sintetizam o estilo musical da Alemanha do século XVIII. "A formação da orquestra é de especialistas em instrumentos antigos e músicos de trajetória internacional, além de contar sempre com a presença de músicos estrangeiros convidados, que também lecionam durante o festival", ressalta Luís Otávio Santos, violinista, diretor artístico do festival e diretor para assuntos internacionais do Pró-Música.
A Orquestra Barroca é o grupo brasileiro de música erudita com o maior número de CDs gravados. São 13 anos ininterruptos de gravação, formando uma discografia que serve de referência para outros grupos e iniciativas do gênero no país. "Esse fenômeno discográfico só encontramos na Europa e nos EUA. Acima de tudo, o produto artístico registrado é único. Música antiga interpretada com instrumentos de época", destaca Luís Otávio.
A cada ano, a orquestra se recria, e seu tamanho e formação variam de acordo com o repertório escolhido. Já foram contemplados o barroco francês, o estilo italiano, a música do período clássico e a música colonial brasileira. Para este disco, as atenções estão voltadas para os compositores alemães e seu vasto legado de grande qualidade artística. "A música de Bach é perfeita, bela e superior. Tudo é pensado e realizado de uma forma primorosa. O conjunto da obra de Bach talvez seja a maior façanha intelectual da humanidade, com o espanto ainda maior se pensarmos que foi realizado por uma única pessoa. Os instrumentos antigos são os que melhor respondem a essa linguagem que foi o barroco, com sua música retórica e discursiva. Para os barrocos, a música era uma mensagem, e os instrumentos falam entre si", afirma o violinista.
Georg Philipp Teleman e Johann Gottlieb Graun, outros compositores do barroco alemão e que também têm obras reproduzidas no disco, fazem parte de um grupo de compositores quase esquecido com o passar do tempo, só voltando à tona no século XX, uma vez que não foram imortalizados no cânone oficial do repertório clássico das salas de concerto. "Essa é uma das missões da Orquestra Barroca: mostrar ao publico brasileiro obras lindas e injustamente esquecidas ao longo dos séculos, assim como a nossa música do período colonial. As gravações da Orquestra Barroca mostram ao mundo que o Brasil possuiu uma produção musical consistente desde uma época remota, fato que era desconhecido até bem pouco tempo atrás."
Para o evento de lançamento do CD da Orquestra Barroca, o Coral UFJF realiza o concerto "Cantorias" com regência de Guilherme Oliveira. Na apresentação, o grupo, que conta com 22 vozes, interpreta 11 números que contemplam o rock, a MPB, o bolero e o negro spiritual. "Nosso repertório é muito diversificado, com músicas de bandas tradicionais como Queen e compositores locais. O destaque, dessa vez, fica por conta da apresentação baseada no arranjo original da canção ‘Roda viva’, escrita por Chico Buarque para o festival internacional da canção, em 1968", explica o regente.









