Encontro reúne música e arte sonora na UFJF
Não há limites para a experimentação musical. E esse é o mote do II Encontro Internacional de Música e Arte Sonora (Eimas), que começou ontem e vai até sexta no Instituto de Artes e Design da UFJF e no Museu de Artes Murilo Mendes (Mamm). A programação traz workshops, demonstrações, concertos e palestras, com o objetivo de destrinchar diversas plataformas de produção sonora e promover um intercâmbio de ideias relacionadas ao tema. Para um dos organizadores do evento, o professor do curso de música da UFJF Daniel Quaranta, o público vai se deparar com uma abordagem artística, na medida em que conhecerá manifestações sonoras vindas de todo o mundo, mas também acadêmica, já que boa parte das obras é consequência de extensas pesquisas.
Para garantir a pluralidade proposta desde a primeira edição, no ano passado, a programação foi aberta a "qualquer pessoa", como conta o também professor da faculdade de música e organizador do evento Luiz Castelões. "A gente coloca todos juntos, e o que vai resultar é qualquer coisa", diz, sobre a falta de restrições. "Tem gente falando sobre Beethoven, outros sobre filosofia ou softwares." Essa mistura, na visão dele, é ideal para a expansão da consciência musical da cidade.
Na tarde de ontem, a Tribuna esteve no Mamm e acompanhou os preparativos para uma das apresentações. A compositora e professora da faculdade paulista Santa Marcelina Michelle Agnes fazia ajustes em um piano de cauda, pelo qual executa uma técnica, desenvolvida na década de 1960, em que agrega novas funções ao instrumento. Para isso, ela lança mão de diferentes materiais, como agulhas de tricô e copos, colocados sobre as cordas. "Escolho os objetos conforme o som que desejo produzir. Com madeiras, por exemplo, posso transformar o piano em um instrumento de percussão." O aparelho, aliás, é tocado tanto pelo teclado quanto pela manipulação direta das cordas.
A proposta da apresentação de Agnes, inclusive, transcende o campo sonoro. Ela toca com o compositor Rodolfo Caesar, que produz sua música por meio de um notebook. Juntos, acompanham o filme do cinema mudo "Limite", de 1931, do brasileiro Mário Peixoto.
Outro organizador do evento é Pedro Bittencourt, que leciona na UFRJ. Ele destaca que cada participante "tem uma ideia, uma forma de compor. Com isso, convites vão pintar de uns para os outros, formando uma espécie de rede de relacionamentos." Para garantir a profundidade das discussões, os organizadores, que contaram com financiamento da pró-reitoria de Cultura da UFJF, garantiram a vinda de nomes internacionais à cidade. Entre eles, estão o artista Rodrigo Sigal, diretor do Centro Mexicano para La Musica y Las Artes Sonoras, a compositora francesa Pascale Criton e compositor Fabian Esteban Luna, que veio da Argentina.
II ENCONTRO INTERNACIONAL DE MÚSICA E ARTE SONORA
Até sexta, com conferências a partir das 9h IAD(Campus da UFJF), e concertos às 19h30, no Mamm (Rua Benjamin Constant 790)









