Venda de espumantes cresce mais de 50% em JF


Por Fabíola Costa

30/12/2016 às 16h35- Atualizada 30/12/2016 às 16h39

Foto: Marcelo Ribeiro
Foto: Marcelo Ribeiro

Apesar de a roupa branca não ser mais uma exigência para a virada, a compra de bebidas e carne é dada como certa neste Réveillon. O movimento para comemorar o fim de 2016 – que parecia interminável – é a última chance de o varejo supermercadista fechar 2016 com crescimento real no faturamento. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o desempenho de dezembro pode elevar a expectativa inicial de incremento de 1% nas vendas no ano.

Conforme a Abras, o refrigerante e a cerveja são os que apresentaram melhor resultado nas vendas reais neste final de ano, com 4,43% e 4,08% de alta, respectivamente. O IPCA do IBGE, referente a novembro, aponta que o preço do refrigerante subiu 11,48% nos últimos 12 meses. No caso da cerveja, a alta é de 7,66%. Outras bebidas alcoólicas ficaram 13,09% mais caras. Entre as carnes, o aumento foi de 3,81% no mesmo período avaliado.

Diante do freezer de carnes, o vigilante Flávio Martins estava indeciso se levaria adiante o projeto de churrasco com os vizinhos na virada. Segundo ele, os preços estão altos, assim como os das bebidas. A sorte, afirma, é que os gastos serão rateados entre os participantes. A dona de casa Sueli Aparecida Barbosa também foi às compras e escolheu pernil e cerveja para comemorar o início do ano. Ela também levou para casa um panetone, aproveitando a promoção pós-Natal.

Segundo o gerente de Marketing do Bahamas, Nelson Júnior, no Réveillon, os produtos para festa têm mais saída. Só a venda de espumantes cresceu 52% em relação ao mesmo período do ano passado. Os vinhos também são procurados, mesmo em menor percentual do que no Natal, assim como as bebidas quentes. As carnes continuam demandadas, mas com outro perfil. As aves perdem espaço para as carnes de boi e de porco, preferidas nos churrascos. Conforme o gerente, o movimento está aquecido e deve se manter assim no sábado, em que as lojas funcionam até as 21h. No domingo, os supermercados não abrem, nem o 24 horas.

Conforme Nelson Júnior, no dia 23, véspera do Natal, foi obtido o maior volume de venda diária no ano. Para o mês de dezembro, a meta é atingir R$ 220 milhões em faturamento. Esta semana, a rede alcançou a marca histórica de R$ 2 bilhões em vendas no ano, objetivo buscado há dois anos.

De olho no desempenho das vendas nos supermercados no acumulado do ano até novembro (10,15% nominais e 1,51% reais), o superintendente da Abras, Márcio Milan, avalia que o resultado foi melhor do que o previsto. “Isso nos favorece um otimismo maior para dezembro, época de maior venda do setor.” Segundo Milan, muitos têm deixado as compras de final de ano para a última hora com o objetivo de aproveitar algumas promoções. “Por conta disso, já estamos avaliando nossa previsão de fechamento de vendas do ano, que estava em torno de 1%, mas que talvez registre um pouco mais.”

 

Alimentação e bebidas respondem por 1/4 das despesas das famílias

Ao contrário do que aconteceu ao longo de 2016, nesta reta final, os alimentos apresentaram desaceleração de preços, que ajudou a conter a inflação sentida no bolso do consumidor. Segundo a coordenadora do Índice de Preços do IBGE, Eulina Nunes, o grupo alimentação e bebidas caiu -0,20%, contribuindo para o resultado do IPCA de 0,18% em novembro. Em outubro, a queda do grupo foi em menor percentual (-0,05%). “No caso das carnes, em pleno período de entressafra, mostrou variação não condizente com o período dado que a demanda tem sido aquecida.” O produto apresentou variação de 0,22% contra 2,64% verificada no mês anterior.

Segundo Eulina, o grupo alimentação e bebidas responde por 1/4 das despesas das famílias. A coordenadora afirma que os fortes problemas climáticos, como safra 12,3% inferior ante a de 2015, levaram à escalada do preço dos alimentos no final de 2015, que permaneceram altos em 2016. No segundo semestre, avalia, com a oferta aumentando e a demanda mais desaquecida, a pressão foi reduzindo, de forma que foi possível chegar ao penúltimo mês do ano com inflação de 6,99% em 12 meses. No ano, a taxa é de 5,97%.

 

Carga tributária em sazonais chega a quase 60%

Nada que mude os planos de comemoração, mas algumas das preferências dos consumidores nesta época do ano são as mais tributadas. Pelos cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), quem pretende reunir a família para comemorar a virada do ano vai pagar caro este ano, pois o Leão deve abocanhar 59,49% do preço do champanhe ou espumante, 46,47% do refrigerante em lata e 44,55% do refrigerante em garrafa. Se a carne escolhida for uma das promocionais do Natal, o percentual chega a 29,32% como no caso de peru, chester ou pernil. Caso o cliente decida almoçar fora no domingo, o percentual abocanhado chega a 32,31%.

Conforme o presidente executivo do IBPT, João Eloi Olenike, mais uma vez, o consumidor é prejudicado pela alta carga tributária, que impede que os consumidores comprem mais e melhor. “A alta carga tributária, principalmente a decorrente dos tributos sobre o consumo, incide sobre as vendas das empresas e é repassada para o preço de mercadorias e serviços, fazendo com que o valor final fique mais caro e, portanto, menos acessível ao consumidor.”