Maioria vem à cidade a negócios


Por GRACIELLE NOCELLI

22/09/2016 às 07h00- Atualizada 23/09/2016 às 08h31

Professor Marcelo do Carmo destaca importância do mapeamento para o planejamento do setor (Marcelo Ribeiro/21-09-16)

Professor Marcelo do Carmo destaca importância do mapeamento para o planejamento do setor (Marcelo Ribeiro/21-09-16)

A maior parte dos turistas que visitou Juiz de Fora no primeiro semestre é do sexo masculino, tem entre 30 e 50 anos e possui ensino superior. Eles vieram, sobretudo, de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo para a realização de negócios. O período médio de estadia foi de até cinco dias, quando ficaram em hotéis, foram a restaurantes, gastaram entre R$ 200 e R$ 300, mas não conheceram os atrativos turísticos da cidade. Estas informações foram constatadas pelo estudo “O turista que a cidade tem, a cidade que o turista quer”, elaborado pelo Departamento de Turismo da UFJF, sob coordenação do professor Marcelo do Carmo.

O levantamento traz informações inéditas sobre o perfil do turista e pode embasar a criação de um Plano Municipal do Turismo, uma das obrigatoriedades para que os municípios recebam o repasse da verba do ICMS Turístico por parte do Governo estadual, conforme explica Marcelo. “O setor não possui este tipo de mapeamento, que pode balizar a criação do plano e contribuir para que os empresários locais criem ou aprimorem negócios direcionados a este público.” Em 2015, a cidade recebeu cerca de R$ 55 mil do imposto.

Ele avalia que os resultados ainda são iniciais, e que a pesquisa voltará a ser aplicada neste segundo semestre. “É um norte para começarmos a pensar a cidade para este turista.” Para ele, os resultados revelam um tíquete-médio baixo, e a falta de informações sobre os atrativos locais. “O valor pode ser explicado pelo próprio perfil do turista de negócios, que tem pouco tempo para ficar e, geralmente, já vem com os custos pagos. Mas é importante que nós pensemos em formas de divulgar os nossos atrativos.”

Dentre os entrevistados, 54,1% fazem turismo de negócios; 29,2%, de lazer; 4,1% são motivados por questões de saúde; e 2,8%, por conta dos eventos. “Estes percentuais refletem a perda dos grandes eventos da cidade nos últimos tempos”, analisa. Com relação aos atrativos turísticos, apenas 31% aproveitaram a estadia para conhecê-los. Os locais mais visitados foram Bar do Bigode, Museu Mariano Procópio, Morro do Cristo, Parque da Lajinha e Campus da UFJF, nesta ordem. “Foram citados muitos bares e casas noturnas, o que mostra que o turista ainda desconhece os equipamentos turísticos.”

A pesquisa ouviu 246 pessoas, entre o período de 15 de maio e 15 de agosto. Foram aplicados questionários em oito hotéis conveniados ao Convention Bureau Visitors, em eventos, no Terminal Rodoviário Miguel Mansur e no Aeroporto Presidente Itamar Franco.

Transporte público ainda é desafio

O transporte público é um dos principais problemas da cidade, apontado pelos turistas. Dentre as queixas registradas na pesquisa, estão a falta de ônibus nos horários noturnos, a escassez de táxis e a inexistência de serviços como mototáxi e Uber. Dentre os entrevistados que utilizaram o serviço de táxi, ninguém avaliou como ótimo, e as opiniões se dividiram entre bom e regular/ruim.

A rede hoteleira recebeu uma boa avaliação, tendo como pontos fortes a recepção e o atendimento, as instalações e as localizações. Já alguns dos problemas relatados foram a ausência/qualidade da internet e os horários de atendimento do room service. Os restaurantes também foram bem conceituados, sendo considerados ótimos ou bons para 74,8% dos visitantes. A ausência de estabelecimentos típicos/regionais e a ampliação dos horários de atendimento são demandas que foram apontadas.

Outros problemas apresentados foram a falta de farmácias 24 horas, postos de informação e o número pequeno de livrarias, cinemas e teatros.