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‘Êxodo’ estreia nesta quinta nos cinemas


Por Tribuna

25/12/2014 às 07h00- Atualizada 30/12/2014 às 14h51

Moisés mostra que é bom de briga na produção que reconta a fuga dos hebreus do Egito

Moisés mostra que é bom de briga na produção que reconta a fuga dos hebreus do Egito

Ao estrear como diretor em 1977 com o filme “Os duelistas”, quando beirava os 40 anos, o britânico Ridley Scott iniciou uma carreira promissora, consolidada com a clássica sequência “Aliens – o oitavo passageiro” (1979) e “Blade runner – o caçador de andróides” (1982). O tempo, entretanto, não foi dos mais benevolentes com o cineasta, que a despeito de outros bons momentos (“Thelma e Louise”, “Chuva negra” e – vá lá – “Gladiador”), vem acumulando produções que decepcionam público e crítica, como o retorno ao universo alien em “Prometheus” e o polêmico “Cruzada”. E o novo filme de Scott, aos 77 anos, é mais um épico, desta vez com o selo do Antigo Testamento da Bíblia: “Êxodo: deuses e reis”, que relata a libertação dos hebreus do Egito após 400 anos de escravidão.

A história contida no Livro do Êxodo é bem conhecida: Moisés é o hebreu que escapou da morte dos primogênitos determinada pelo faraó ao ser colocado em um cesto de vime no Rio Nilo, encontrado pelo pessoal da realeza que o fez viver na corte, ao lado do futuro regente, e que viveu numa boa até a sua origem ser descoberta, sendo expulso do palácio. No deserto, ele passou a levar algumas conversas com um arbusto em chamas (que seria a representação de Deus) e colocou na cabeça que deveria libertar seu povo e levá-lo de volta para onde fica, atualmente, Israel. Aí negocia com faraó, faraó diz não, Deus manda umas pragas apavorantes (no Antigo Testamento, não custa lembrar, Jeová jogava pesado com os infiéis), faraó aceita liberar os escravos, os escravos caminham alegremente até o faraó mudar de ideia, persegui-los, Moisés abrir o Mar Vermelho, seu povo atravessar tranquilamente, e faraó, imprudente, ser tragado pelas águas. Fim.

Fim? Não para Ridley Scott. Como no cinema nada se cria, tudo se copia e coloca-se uma boa pitada de ação e efeitos especiais, o diretor começa o filme com Moisés (Christian Bale) já adulto, reconhecido como um dos mais capazes generais do então faraó Seti (John Turturro). Isso leva à inveja e recalque do seu primo-irmão, Ramsés (Joel Edgerton), que, com os ouvidos tomados pelo venenoso palavreado da mãe (Sigourney Weaver, que saudade de você), aproveita-se da descoberta das origens do futuro profeta para mandá-lo ao exílio, onde Moisés vira pastor, leva um papo com a sarça ardente… e decide virar um pastor-libertador.

Apesar de se tratar de um filme bíblico, Ridley Scott não economiza nas cenas de ação e nos efeitos especiais, fazendo de Moisés, mais que um profeta, um líder guerrilheiro capaz de passar na espada quem for preciso para libertar seu povo (apesar de não parecer assim tão afeiçoado a ele).

Na verdade, segundo a crítica, os 400 mil hebreus até ficam mal na foto, tamanha a inclemência das pragas jogadas por Jeová (nada econômico em sua ira na época) contra seus inimigos, mesmo que tenham sofrido quatro séculos de trabalhos forçados, chicotadas e humilhações. Com duas horas e meia de duração, “Êxodo: deuses e reis” faz de Moisés, figura icônica de cristão, judeus e muçulmanos, mais uma versão 2.0 do Máximus Décimus Meridius de “Gladiador” do que um profeta destinado ao reconhecimento de três das mais importantes religiões do mundo.

ÊXODO: DEUSES E REIS

UCI 3 (3D/dub): 16h15. UCI 3 (3D): 13h10 (a partir de sexta-feira), 19h20 e 22h25 (até terça-feira).UCI 4: 17h50 e 20h55 (até terça-feira) e meia-noite (sexta-feira e sábado). Alameda 2 (dub): 14h20 e 18h. Alameda 2: 21h (até terça-feira). Alameda 5 (3D/dub): 15h (todos os dias) e 18h30 (até terça-feira). Alameda 5 (3D): 21h30 (até terça-feira). Palace 1 (dub): 14h30, 17h30 e 20h30 (exceto segunda e quarta-feira). Santa Cruz 1 (dub): 17h30 e 20h30 (até terça-feira)

Classificação: 12 anos