Ouça agora

PF cumpre mandado de busca em Juiz de Fora


Por

15/09/2016 às 16h05

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca em Juiz de Fora na manhã desta quinta-feira (15), na oitava fase da operação Acrônimo. A ação ocorreu na sede da Esdeva Indústria Gráfica, no Bairro Poço Rico, e em uma residência, na Cidade Alta. Ao todo, foram cumpridos 20 mandados judiciais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além do Distrito Federal, sendo 11 conduções coercitivas e nove mandados de busca e apreensão. A determinação é da 10ª Vara Federal do Distrito Federal. A Esdeva Indústria Gráfica afirma que não é foco das investigações e que colabora com os trabalhos da Polícia Federal, disponibilizando documentos.

Nesta etapa da operação, a intenção é recolher elementos que visam a esclarecer a atuação de uma organização criminosa especializada na obtenção de benefícios junto ao Governo federal por meio de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Dois inquéritos policiais apuram dois eventos distintos da investigação. Um deles refere-se à cooptação e pagamento de vantagens indevidas para fraudar licitações no Ministério da Saúde, beneficiando a gráfica e editora Brasil, do empresário Benedito de Oliveira, o Bené, apontado como suposto operador do Governador de Minas, Fernando Pimentel (PT).

A suspeita é de que Pimentel tenha utilizado serviços da gráfica de Bené durante a campanha eleitoral de 2014, sem declarar os devidos valores. Iniciada em 2015, a operação buscava a origem de R$ 110 mil encontrados em um avião no aeroporto de Brasília que transportava Bené. Em uma das fases da operação, inclusive chegaram a revistar o apartamento da esposa do governador, Carolina Oliveira, localizado em Brasília, enquanto em outra etapa foram feitas buscas na casa do diretor presidente da Cemig, Mauro Borges, que substitui Fernando Pimentel no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

O outro evento apurado na 8ª fase da operação é a interposição de empresa na negociação e pagamento de vantagens indevidas a agente público para obtenção de financiamentos de projetos no exterior pelo BNDES (República Dominicana, Angola, Cuba, Panamá, Gana e México) no interesse de uma grande empreiteira do Brasil.
As ações são um desdobramento da investigação que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O órgão determinou o encaminhamento de parte da apuração à Justiça Federal de primeira instância, por não envolver investigados com prerrogativa de foro naquela Corte.