IPCA acumula alta de 8,97% em 12 meses
Rio (AE) – Os preços dos alimentos subiram menos em agosto, permitindo que a inflação oficial no país arrefecesse para 0,44%, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados pelo IBGE. Em julho, havia ficado em 0,52%. O resultado, entretanto, foi o pior para o mês desde 2007 e diminui a possibilidade de um corte na taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em outubro, dizem analistas.
“A ata da última reunião do Copom deixou claro que as autoridades querem, entre outras coisas, ver evidências de que o aumento na inflação de alimentos é temporário. O mercado está atualmente ‘precificando’ uma chance de corte de 0,25 ponto percentual em outubro, mas o dado de ontem torna isso improvável”, disse o economista-chefe para mercados emergentes da consultoria britânica Capital Economics, Neil Shearing.
A taxa do IPCA acumulada em 12 meses voltou a subir e ficou em 8,97%, afastando-se ainda mais do centro da meta estabelecida pelo Governo, de 4,5%. Embora a inflação tenha vindo um pouco menor na passagem de julho para agosto, o IPCA continua em patamar elevado, afirmou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índice de Preços do IBGE.
“Os meses do meio do ano são quando a safra está sendo comercializada, tem o escoamento e comercialização da produção. No geral, junho, julho e agosto registram as taxas de IPCA mais baixas do ano. Entretanto, esse IPCA é o maior agosto dos últimos dez anos”, apontou Eulina.
Dados do IBGE mostram que a safra agrícola brasileira deve ser 11,1% menor em 2016 que a de 2015, por conta dos problemas climáticos que prejudicaram a lavoura. Recentemente, houve pressão de itens importantes da cesta básica, como o leite longa vida e o feijão carioca. O leite longa vida subiu menos (de 17,58% em julho para 2,52% em agosto), enquanto o feijão carioca chegou a ficar mais barato (de 32,42% em julho para -5,60% em agosto). No entanto, ambos ainda acumulam elevações significativas nos últimos 12 meses: o leite está 47,67% mais caro e o feijão, 160,25%. A desaceleração nos preços dos alimentos em agosto é uma boa notícia, mas outros itens que fazem parte do IPCA pioraram, observou o economista Bernard Gonin, da Rio Gestão de Recursos. Segmentos ligados à atividade e que são acompanhados com maior atenção pelo Banco Central (BC) voltaram a pressionar o indicador de preços. “Serviços, que dependem da atividade, aceleraram, e isso vai contra o que o BC espera”, disse Gonin. Os reajustes de mensalidades escolares e cursos livres somados ao salto de 11,58% nas diárias dos hotéis foram alguns dos principais responsáveis pela taxa de 0,59% registrada pela inflação de serviços em agosto.









