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Ministério avalia interdição da Imbel


Por DANIELA ARBEX

20/08/2016 às 07h00- Atualizada 22/08/2016 às 08h20

Casa onde uma mulher se feriu teve porta arrancada e parede danificada

Casa onde uma mulher se feriu teve porta arrancada e parede danificada

A Gerência Regional do Ministério do Trabalho em Juiz de Fora passou todo o dia de ontem preparando um relatório minucioso sobre a Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel). É a partir da conclusão deste documento que será avaliado se a fábrica – que registrou uma grande explosão em um de seus paióis na última terça-feira -, será interditada. A princípio, a decisão não será tomada em caráter de urgência uma vez que a própria empresa se antecipou a essa medida, suspendendo as atividades. Dentro da indústria, composta por 82 edificações, somente militares do Exército estão circulando para levantamento das causas do acidente e limpeza dos locais atingidos. Por causa do impacto da explosão de granadas que estavam em processo de montagem, pedaços de concreto foram lançados em boa parte dos prédios. Alguns galpões estão com os telhados danificados e portas de aço ficaram retorcidas.

De acordo com a chefe da Seção de Inspeção do Trabalho da Gerência Regional, a auditora fiscal Jaqueline Borges, a primeira impressão dos auditores que iniciaram uma fiscalização da fábrica é de que, da forma como a empresa se encontra, ela não pode funcionar. “Em alguns locais, parece um cenário de guerra”, afirmou a auditora fiscal. Segundo ela, não só o patrimônio da fábrica foi atingido como parte do Bairro Araújo, que está a 500 metros do local onde os paióis da Imbel armazenam munição. Embora a fábrica tenha surgido antes do bairro e das legislações que regulamentam o setor, a fabricação de explosivos no perímetro urbano das cidades foi proibida. Só na Zona Norte, onde está situada a empresa, vivem hoje mais de cem mil pessoas.

Segundo a auditora fiscal, o Ministério do Trabalho está atuando em conjunto com o Ministério Público do Trabalho, cujo procurador José Reis irá acompanhar os procedimentos. O Ministério Público Estadual também deverá ser envolvido neste trabalho que pretende garantir a integridade dos trabalhadores e a segurança dos cidadãos.

Até o momento, 205 famílias procuraram a Imbel relatando danos em suas moradias. Residente na Rua Olímpio Costa, no Bairro Araújo, a aposentada Maria José da Silva é a primeira vítima dos danos causados pela explosão dos paióis. Quando os vidros da casa dela começaram a quebrar, ela correu para os fundos do imóvel, a fim de verificar como seus parentes estavam e acabou tendo o tendão da mão cortado pelos cacos. Ela está internada no Monte Sinai, onde passará por cirurgia neste sábado. “Até agora, a Imbel não nos ofereceu ajuda”, queixou-se a irmã dela Leandra Aparecida da Silva, 48 anos, cuja moradia, localizada nos fundos do endereço da irmã, teve todas as janelas quebradas e trincadas, além de danos nos azulejos e no forro da cozinha. “Não estou podendo ficar lá. Além disso, eu e minha filha não estamos conseguindo dormir. Tentei registrar um boletim de ocorrência em Benfica, mas o policial não quis e disse que era ordem do comandante”.

Procurado pela Tribuna, o assessor de comunicação organizacional da Polícia Militar, major Marcellus Machado, disse que não existe nenhuma ordem do comando neste sentido e que vários boletins de ocorrência já foram registrados contra a Imbel. “A nossa orientação é para que essa mulher procure o comando do 27º Batalhão e informe o horário e o dia nos quais esse episódio ocorreu, para que possamos tomar providências.”

Já o chefe de Comunicação Institucional da Imbel, em Brasília, coronel Marcelo Muniz, afirmou que todas as demandas devem ser apresentadas no posto de atendimento aos moradores montado pela Imbel. “Não fomos informados sobre esse caso. Montamos uma estrutura sistemática de apoio à comunidade. A nossa orientação é que a fábrica seja procurada, porque estamos fazendo tudo para prestarmos assistência e ressarcimento o mais rápido possível”, comentou, afirmando que a Imbel só será reaberta até que se tenha total segurança em relação às condições da fábrica.