Marilda ladeira lança o livro Preto no branco

Livro de Marilda relembra uma época em que o jornalismo e o mundo eram bem diferentes
Em todos estes anos vividos nesta esfera imperfeita, Marilda Ladeira incorporou à sua nada estática vida uma série de atividades. Além da dobradinha esposa-mãe, ela acrescentou a seu currículo de vida e paixão pelo jornalismo, publicidade, música e as letras – e é esta última faceta, mais especificamente a de cronista, que ela rememora nesta quinta-feira, com o lançamento do livro “Preto no branco – crônicas de ontem, hoje e amanhã” no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm).
Nesta nova publicação, a autora de “Viver poesia” (2010) e “Coisas findas” (2002), entre outros títulos, reúne 48 crônicas escritas – em sua maioria – nos anos 80, período em que trabalhou na Tribuna. Nos textos, é possível encontrar na prosa da autora uma visão que tanto pode ser leve quanto contundente, com elementos que evocam desde o lirismo até o bom humor, valendo-se muitas vezes de manchetes de jornal para refletir sobre o (estranho) mundo em que vivemos, incluindo aí um Brasil que, na época, vivia assolado pela inflação, o desabastecimento, a tristeza da Copa de 82 e os resquícios de uma ditadura moribunda.
“O livro surgiu para lembrar que aquele foi um período muito tumultuado da nossa vida política, pois estávamos saindo da ditadura, e muita gente não acreditava que isso ia acontecer. Houve época de ter que levar o texto à Censura para pode publicar. Eu fui sempre muito guerreira, maluca, escrevia o que podia e não podia. E não era característica da mulher, naquele tempo, ter tanta opinião assim”, conta Marilda, destacando ainda a diagramação inusitada para o livro, emulando o texto datilografado típico das antigas redações, a cargo do designer gráfico Knorr. “Quis dar a ele a essência do que é a criatividade no jornalismo, que na época não era uma coisa comum, e trazer o espírito da época, da criatividade que é necessária para o jornal não ficar pesado. O livro está muito caracterizado por essa criatividade e pelo despertar de uma coisa nova.”
Marilda, nascida em Belo Horizonte e vivendo em Juiz de Fora (cidade que considera “um polo de criatividade”) há mais de cinco décadas, sempre viveu rodeada pelas palavras. Fundadora da primeira agência de publicidade da cidade, em 1968, ela também foi apresentadora e jornalista da TV Industrial, editora da revista “O Lince” e do jornal “Correio da Mata” e participou da equipe que fundou a Tribuna, encontrando tempo, ainda, para escrever seus livros e letras para músicas do Lúdica Música! (“Clara evidência”) e Ana Carolina (“Tô caindo fora”). “Sou uma apaixonada pela palavra. Ela é minha vida e minha morte, eu vou morrer pela palavra. O mundo de hoje está mais apagado, diminuindo a claridade, e eu sou uma das pessoas ligadas à filosofia de Platão, de acabar com a escuridão e trazer a luz.”
PRETO NO BRANCO – CRÔNICAS DE ONTEM, HOJE E AMANHÃ
Lançamento de livro nesta quinta-feira, às 19h
Mamm
(Rua Benjamin Constant 790)








