Ouça agora

UFJF recebe festival de jazz neste sábado e domingo


Por JÚLIO BLACK

06/12/2014 às 07h00

João Bosco volta à cidade onde fez uma de suas primeiras apresentações, nos anos 70

João Bosco volta à cidade onde fez uma de suas primeiras apresentações, nos anos 70

Pepeu Gomes apresenta seu trabalho instrumental com influências de Hendrix e João Gilberto

Pepeu Gomes apresenta seu trabalho instrumental com influências de Hendrix e João Gilberto

O jazz, a música instrumental, a MBP, o blues e outros estilos se encontram neste fim da semana na Praça Cívica do Campus da UFJF, local em que será realizada a primeira edição do Juiz de Fora Jazz Festival. Entre sábado e domingo, nomes como João Bosco, Pepeu Gomes, Blues Etílicos, Alex Malheiros e Raul de Souza dividem o palco com artistas locais (os quartetos de Márcio Hallack e Fabrício Conde, entre outros) em uma maratona musical que terá início às 16h de sábado e domingo, sempre com entrada franca. Segundo a organização do evento, o festival é voltado para todo o público, do tradicional amante do jazz ao admirador da música instrumental brasileira, incluindo nesse meio os fãs da boa música, independentemente de estilo. “O Juiz de Fora Jazz Festival se insere na proposta de integrar a comunidade acadêmica e a sociedade em geral, através da oferta de atrações de qualidade”, diz o pró-reitor de Cultura, Gerson Guedes.

Um dos nomes mais conhecidos a se apresentar no festival, já no sábado, é o guitarrista Pepeu Gomes, há mais de 40 anos na atividade. Para o show (o primeiro instrumental que faz na cidade), ele deve manter o repertório executado em eventos de jazz como o realizado na cidade de Rio das Ostras (RJ), centrado em seu trabalho autoral. As exceções devem ser “Menino do Rio”, de Caetano Veloso, e um medley com canções de Pixinguinha, Waldir Azevedo, Ary Barroso e Jacob do Bandolim, entre outros nomes da MPB. Ele será acompanhado por sua banda, formada pelos seus irmão Jorginho (bateria) e Didi Gomes (baixo), além de Filipe Pascual (guitarra e violões), Dudu Viana (teclados) e Guerrinha (percussão).

“Já rodo o país há alguns anos com esse tipo de show, que se reveza com o outro em que canto, e a expectativa é muito boa. O show mostra toda minha formação musical, tocando guitarra, bandolim e violão, e as influências que tive de João Gilberto, Jimi Hendrix, Jacob do Bandolim e dos Novos Baianos”, enumera o virtuose da guitarra, que prepara um novo álbum instrumental previsto para ser lançado em março de 2015, abrangendo diversos estilos.

Outro nome a participar do festival é bem conhecido do público juiz-forano: João Bosco volta à cidade com o show da atual turnê, com o repertório concentrado no material dos DVDs “Obrigado gente” e “40 anos depois”, enquanto prepara novas canções para o próximo álbum, que espera lançar ano que vem. Quatro décadas, aliás, é o tempo aproximado da primeira vez que o cantor e compositor esteve na cidade, quando se apresentou no esquema voz e violão na mesma UFJF que vai recebê-lo no domingo. “Estive na universidade na ocasião do lançamento do meu primeiro compacto, que veio encartado no ‘Pasquim’. Lembro que foi um convite dos alunos, e uma das minhas primeiras apresentações.”

Na época, o Brasil ainda vivia os anos sombrios e repressores da ditadura militar, o que faz com que João reflita sobre todos os avanços alcançados desde então. “A vida anda para frente, são conquistas que alcançamos. A questão é você valorizar essa conquista, o Brasil é um dos países mais democráticos do mundo civilizado. É preciso que as gerações surgidas após a ditadura entendam que várias gerações trabalharam para isso, que os mais jovens possam aprimorar e valorizar a vida que temos, em que qualquer um pode expressar seu pensamento e curtir o direito de ir e vir. Felizmente, vejo que o número de pessoas que defende um golpe militar, a ditadura, é baixo.”

Amizades musicais

Outra ligação que João Bosco tem com a cidade é igualmente musical e mais pessoal: o trabalho desenvolvido eventualmente com o músico Dudu Lima. “O Dudu é um excelente artista, um músico de altíssimo nível, tocar com ele é sempre muito bom. Ele me convidou para fazer alguns projetos com ele, e sempre sou convidado para fazer participações em shows do trio dele. Toquei com o Dudu recentemente em Belo Horizonte, em Cataguases foi uma noite realmente muito especial. Sempre que o Dudu Lima Trio me convida é um show bem interessante, exploramos caminhos musicais especiais”, diz João.

Tendo trabalhado em parceria com outros grandes nomes da música como Vinicius de Moraes e Aldir Blanc, João Bosco é um entusiasta de festivais como o programado para Juiz de Fora. “Acho a música jazzística muito próxima de determinados gêneros musicais brasileiros, em especial a bossa nova, com a qual o jazz tem muita afinidade e troca de ideias musicais. E Juiz de Fora, a meu ver, tem uma tradição muito bacana nesse tipo de evento, que joga luz numa música que tem essa capacidade de trilhar novos caminhos. Os festivais que rolavam na cidade nos anos 70, dos quais me apresentei em um deles, foram marcantes para a música brasileira. Acho ótimo que o festival de jazz aconteça em um espaço democrático, onde as pessoas possam ter acesso a esse tipo de música, menos imediatista e mais vigorosa. E principalmente para os jovens, que têm essa sede de informação.”

Blues e outras praias

Além de João Bosco e Pepeu Gomes, outro veterano que participa do festival é o grupo carioca Blues Etílicos. Formado em 1985, a banda formada por Greg Wilson (voz e guitarra), Flávio Guimarães (gaita), Otávio Rocha (guitarra), Pedro Strasser (bateria) e Cláudio Bedran (baixo) tem entre seus maiores sucessos os álbuns “San Ho Zay” e “Dente de ouro”. O baixista Alex Malheiros, do Azymuth, traz o trabalho instrumental de seu quarteto, ao lado de Fernando Moraes (teclados), Paulo Braga (bateria) e Zé Carlos Bigorna (sax e flauta). Os dois nomes se apresentam no sábado antes de Pepeu Gomes. Quem também se apresenta no mesmo dia é a Orquestra de Jazz Pró-Música/UFJF, com regência do maestro Sylvio Gomes e repertório composto por clássicos de jazz, MPB, música internacional e composições de Sylvio.

No domingo, as atrações antes de João Bosco ficam por conta do quarteto instrumental de Márcio Hallack, que terá como convidado o veterano trombonista Raul de Souza, conhecido por suas composições e seu trabalho com Sérgio Mendes, Airto Moreira e Flora Purim, entre outros diversos artistas. O compositor e violeiro Fabrício Conde também se apresenta com seu quarteto. O artista de Juiz de Fora já gravou três CDs autorais e um DVD.

JUIZ DE FORA JAZZ FESTIVAL

Sábado, a partir das 16h

Orquestra de Jazz Pró-Música/UFJF

Alex Malheiros Quarteto

Blues Etílicos

Pepeu Gomes

Domingo, a partir das 16h

Márcio Hallack Quarteto convida Raul de Souza

Fabrício Conde Quarteto

João Bosco

Praça Cívica da UFJF

(Campus da UFJF)

Entrada franca