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‘Nasci de novo’, diz juiz-forano que estava no aeroporto de Bruxelas


Por Renato Salles

22/03/2016 às 19h35- Atualizada 23/03/2016 às 09h05

Atualizada às 9h, do dia 23/03

Foto do leitor Carlos Henrique da Costa Dias
Foto do leitor Carlos Henrique Almeida

“A vida começa ao 40.” Célebre do imaginário popular, a frase deixou de ser um simples ditado e passou a ter um significado real na vida do engenheiro Carlos Henrique Almeida, 40 anos. Natural de Juiz de fora e morando na Europa desde 2010, ele viveu de perto o atentado ocorrido nesta terça-feira (22), no Aeroporto Internacional de Zaventem, em Bruxelas. “Estava na área de embarque, quando a bomba explodiu na área de check-in. Estava no ‘gate’ A (portão A). Não deu para ouvir nada. Só descobrimos o que estava ocorrendo quando escutamos o sistema de som chamando para evacuar o prédio. Não sabia o que fazer. Todos saindo em uma correria nervosa para a pista do aeroporto”, relata.

Carlos Henrique mora em Dresden, na Alemanha, e estava em Bruxelas para acompanhar a formatura de um ex-colega de trabalho. “Minha angústia era não saber o que estava acontecendo. Se havia alguém com uma metralhadora atirando nas pessoas após a explosão. Só via a correria. Não sabia se me escondia ou se seguia o fluxo. Acabei decidindo sair em direção à pista. Foi aí que fiz algumas fotos e tive uma ideia da explosão. Lá fora, deu para ver janelas quebradas, muita polícia, ambulância e o pessoal do exército fazendo atendimento a algumas pessoas.”

Foto: Arquivo pessoal/Carlos Henrique da Costa Dias
Foto: Arquivo pessoal/Carlos Henrique Almeida

Após todo o susto, o juiz-forano já estava na Alemanha no final da tarde (no horário de Brasília) e imaginou que poderia ter sido uma das vítimas. “Graças a Deus não vi muito do que aconteceu onde explodiu a bomba. Mas pude ver pessoas sendo atendidas. Acharam um fuzil e um colete que não foi detonado lá dentro. Poderia ter sido bem pior. Nasci de novo. Tudo que quero e ficar com minha família, minha esposa e meu filho e esquecer esse pesadelo.”

País assustado

Um casal que vive em Beveren, na província de Oost-Vlaanderen, a 40km de Bruxelas afirma que a tensão se estendeu para além s fronteiras da capital belga. “Foi tudo muito assustador. Não estamos acostumados com isso no Brasil, temos notícias de tiroteios, mas nada como um atentado como esse”, relata Fabiana Scherer van Hassel. Casada com um belga, a brasileira de 38 anos lembra que, no primeiro momento, a primeira preocupação é avisar os familiares no Brasil. “Era madrugada no Brasil quando liguei para o meu pai em Taubaté e conversei com minha cunhada em Juiz de Fora”, conta a paulista, que viveu em Juiz de Fora em boa parte da sua vida, antes de se mudar para a Bélgica em 2012.

Ela relata que tentou manter a normalidade apesar do susto. “Eu tinha aula e sabia que minha professora viria de outra cidade. Duas amigas estrangeiras desistiram, mas, como ia de ônibus, resolvi ir. Entrei no ônibus e, já no primeiro momento, tive um estranhamento com o comportamento de alguns refugiados, muito calados. Na minha sala há pessoas de 16 nacionalidades e alguns parecem temer algum tipo de represália.” A brasileira também relatou as ruas vazias. Marido de Fabiana, o belga Frank van Hassel, 34, que morou no Brasil e em Juiz de Fora entre 2009 e 2012, afirmou no início da noite que as coisas já começam a voltar à normalidade no país. “Todos estão de luto. O aeroporto de Bruxelas deve ficar fechado por mais uns dias. Vamos superar isso e não vamos ficar assustados. Isso é o que eles querem, mas o povo não vai deixar isso acontecer.”

Atentados

Agência Brasil – Pelo menos 34 pessoas morreram e 187 ficaram feridas nos atentados desta terça em Bruxelas, mostra o novo balanço provisório das autoridades.Os números divulgados anteriormente eram 26 mortos, 11 no aeroporto de Zaventem e 15 na estação de metrô de Maelbeek, e 136 feridos. Segundo dados divulgados pela ministra da Saúde belga, Maggie de Block, 14 pessoas morreram nas duas explosões ocorridas no aeroporto e, segundo o Ministério da Justiça, 81 ficaram feridas.

De acordo com informações da empresa que administra o metrô, a Stib, 20 pessoas morreram na estação do metrô e 106 ficaram feridas, 17 em estado grave. O balanço anterior da Stib era de 55 feridos na estação do metrô, 10 em estado grave. Duas explosões foram registradas de manhã no aeroporto de Zaventem e uma terceira, cerca de uma hora mais tarde, na estação do metrÔ de Maelbeek, perto das instituições europeias. O grupo terrorista Estado Islâmico reivindicou a autoria dos atentados na capital da Bélgica.