23 municípios em epidemia

Vinte e três municípios da Zona da Mata mineira estão com epidemia de dengue. A situação voltou a se agravar no final do ano passado, com o retorno das chuvas. Com um registro de 1.500 casos em apenas uma semana e meia, Ubá está entre os quatro municípios de Minas em situação crítica. Os outros três são Pará de Minas, Governador Valadares e Bom Despacho, localizados em outras regiões do estado. Ainda na Zona da Mata, moradores das cidades de Guarani e Rio Pomba também estão em estado de alerta, já que houve um crescimento exponencial das notificações nas últimas semanas. Em 2015, em todo o estado, foram confirmados 148.123 casos e outros 38.920 foram considerados suspeitos. Sessenta e sete pessoas morreram em decorrência da doença, sendo quatro na Zona da Mata, nas cidades de Faria Lemos, Juiz de Fora, Viçosa e São Tiago.
A moradora de Ubá, Alessandra Carvalho, 45 anos, já teve dengue quatro vezes. A última ocorreu no mês passado. “Em toda casa que conheço há uma ou mais pessoas com dengue: entre os meus colegas de trabalho, na minha família. O surto começou logo após o retorno das chuvas. As pessoas em Ubá ainda não se conscientizaram e não estão cuidando.” Nas redes sociais, ubaenses questionam a falta de ações por parte dos órgãos públicos (ver quadro). Já o prefeito do município, Vadinho Baião (PT), alega que faltam recursos para a realização das ações e contratação de pessoal. “Hoje temos nossas equipes na rua, dois carros fumacê, mas precisamos de mais. Agora, com mais recursos, se realmente chegarem, vamos aumentar o número de agentes na rua, que hoje é insuficiente para a proporção dos casos. Contamos ainda com a participação da população. A dengue não é culpa só do Poder Público”, disse, em entrevista à Rádio CBN Juiz de Fora. Para o chefe do Executivo, o armazenamento de água foi um dos responsáveis pelo atual surto da doença. “Nós passamos um período com uma falta de água muito grande, e muitas famílias fizeram reservatórios. Agora, com a volta das chuvas, os reservatórios não estão sendo mais utilizados pela população e estão se transformando em criadouros.”
A cidade de Rio Pomba também viu o número de notificações da dengue crescer exponencialmente. Segundo o coordenador da Vigilância em Saúde do município, Valmir Cândido da Silva, somente na semana passada foram registrados 45 casos. “Além da falta de conscientização das pessoas, temos falhas administrativas na distribuição do larvicida pelo Governo federal. Ficamos um mês sem receber o larvicida. Normalmente o pico da dengue é em abril e junho. Neste ano, será antecipado.” O coordenador também acredita que o hábito de armazenar água de forma inadequada colaborou para a infestação.
Em Lima Duarte, apesar do surto no início do ano, a cidade não tem registrado casos da doença, conforme a secretária de Saúde, Lilian Clemente de Moura. O último Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (Liraa) realizado no município apontou um índice abaixo de 1, dentro do recomendado pelo Ministério da Saúde. Em dezembro, foi publicada uma lei municipal que multa os proprietários dos locais onde forem encontrados focos da dengue. Já Chácara, que enfrentou um surto em março, conseguiu baixar os índices com campanhas educativas, visitas domiciliares e o uso do fumacê, conforme a secretária de Saúde, Maria de Lurdes Evangelista.
Subnotificação encobre surto maior
Apesar de os dados oficiais da Secretaria de Estado de Saúde (SES) contabilizarem 82 casos confirmados em Guarani, o que já aponta para a ocorrência de uma epidemia, a cidade de nove mil habitantes, registrou mais de 400 pessoas infectadas de setembro até o final do ano passado, conforme a coordenadora de Epidemiologia, Gilmara Figueiredo. Ainda assim, muitos casos não são notificados já que não há um fluxo de notificações direto das unidades de saúde para a Prefeitura. Os próprios pacientes precisam levar os seus atestados de confirmação da doença para que o caso seja notificado. No entanto, a notificação compulsória é obrigatória para os médicos, outros profissionais de saúde ou responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde, que prestam assistência ao paciente.
Mesmo com a subnotificação, Guarani registra um coeficiente de 911 casos por cem mil habitantes. O Ministério da Saúde considera que municípios com incidência superior a 300 casos por cem mil habitantes estejam em situação de alta transmissão da doença (ver quadro). Para tentar elaborar um plano de controle do mosquito, a Prefeitura está realizando um Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (Liraa).
Entre as 15 cidades da Zona da Mata com maior índice de infestação, oito pertencem à Gerência Regional de Saúde de Ubá: Guidoval, Rio Pomba, Miradouro, Patrocínio de Muriaé, Muriaé, Ubá, Guarani e Tocantins. A Tribuna tentou contato com a Gerência de Ubá, mas não obteve êxito.
Já o superintendente Regional de Saúde de Juiz de Fora, Oleg Abramov, informou que, desde novembro, o Governo estadual vem enviando aportes financeiros para que os municípios possam estruturar suas equipes. “A nossa orientação é que todos os municípios façam duas visitas domiciliares, uma em janeiro e uma em fevereiro. O Governo está disponibilizando recursos para a aquisição de equipamentos e de pessoal. Montamos uma norma técnica e já distribuímos para os municípios. Também estamos disponibilizando treinamento para as equipes. Os supervisores da superintendência estão visitando os municípios e auxiliando nos trabalhos.”








